Isto fica como um cartão-postal para vocês.
Mas um cartão- postal diferente em que só se revela o remetente, e não o local e nem o tempo datado porque ao contrário da maioria dos cartões postais, este cartão postal é do sagrado e do atemporal, e o sagrado precisa ser muitas vezes guardado sob segredo para privar de turistas farofeiros ou bisbilhoteiros fuleros sem nada a acrescentar.
Achamos a Susi, uma alemã com caboclice nas veias e uma aura de madre inquestionável.
Paramos extáticos ante sua porta-arte com olhos admirados, ao que ela compreendeu-nos e acenou sorrindo com os olhos como que dizendo " entrem!venham ver de perto".
Entramos...e puuutz, era mágico!
E lá encontramos um mundo todo que cabia em nossos sonhos, sonhos soltos, sonhos entrecruzados, coincidências e sutilezas de almas como voltar a uma casa de mãe, mas não a casa de uma mãe em particular, mas uma mãe universal.
Como se isso fosse possível, até quem fosse órfão se sentiria voltando à sua casa de mãe de infância, lá onde nas paredes ficara impregnado seus sonhos de meninice e seus desejos mirabolantes de adulta-velhinha bacana de futuro.
A casa de Susi continha umas partes de minh´alma, como: uma floresta encantada de encamiabas, uns macacos entre bananeiras e rabos encaracolados, um tapete de pedra fofa branca, umas mesas com tampões do inconsciente, uns chás que eu fazia quando eu brincava de comidinha com a molecada do bairro.
A casa da Susi continha eu confortavelmente e cabia perfeitamente naquela companhia que ...pensando bem, nem Susi, nem a casa, nem as memórias do passado/presente/futuro, nem aquela rua, nem aquele friozinho aconhegante, nem aqueles meus dedos cheios de tinta e a pele cheia de poeira e cheiro de novidade aconteceria se não existisse aquela companhia.
Ah..aquela companhia, aquele companheiro, a Susi, a casa, os sonhos, os detalhes...tudo isso imensamente contido no espaço amplo de um coraçao irrestrito, coração meu, coração além do eu, coração nosso.
Tudo isso existe, não são quimeras.
E por ser tão real e tão tocante e tocável, eu preservo, eu me atento para o fato de que não podemos revelar o caminho,
Não, não vou dizer onde fica, onde é, quem é.
Imagine você que você recebeu um cartão postal de um lugar assim, você iria atrás dele?
Eu desejo imensamente que vocês procurem o local de vocês como este simbolizado aí pois este local chama-se Amor, cidade do Encanto.
Desejo que revistem-na vocês também e envieem-me seus posts, postais e quetais!
até lá
cris
