26 de março de 2009

FIM DA CICLOVIA A 50M

Meu querido, minha querida, um dos amores de minha vida, não o Amor, mas não menos importante que outrens, te escrevo com muita felicidade ao mesmo tempo com a intensidade das vísceras, para que seja real e sincero ao mesmo tempo que mágico.
Não tenho respostas prontas, eu nunca as tive. Cada qual deve seguir seu próprio caminho. Não há verdade absoluta, a não ser a Realidade da Mudança e da Diversidade dos seres. Meus escritos são fragmentos do que Sou, nunca poderiam me definir. Ao menos sei que estes são os fragmentos de algum Eu, de algum passado distante de Eu, ou de algum entendimento remoto de um Eu. Fragmentos é o que somos e eu te escrevo agora, fragmentos de escritos do passado ou do presente. O tempo não importa, eu já fui tudo isso, e talvez continue sendo. Aproveite-os como quiser e o mais importante, aproveite-os como você, somente você SENTIR.

1 - “FIM DA CICLOVIA A 50M”

Identidades anônimas, nômades
Que simplesmente existem e tentam ser
Sem algo a se mostrar
Ou a se realizar para outrens
É o Ser para o Nada e
Não vangloriar o que se É, para o Tudo.
Identidades anônimas, nômades
Seres microscópicos que andam e comem
E falam e não vêem sentido em nada
Porque Ser Nada é Tudo.
Tudo é o Universo.
Cada universo vivo se expande e se contrai
Também sofre, pelo eterno sofrimento inerente ao ser;
No eterno ciclo existencial dos seres.
A liberdade de ser é também sair ou
Supor que poderíamos sair deste ciclo, desde círculo.
Somos a crítica da vida. E a vida é indefinível em muitos níveis,
Por isso sofremos. O que dizer então depois disso?
Vai e vem que somos, a Mudança é a constância dos seres...

Estagnar os seres é como negar a vida.
Como aceitar então a Mudança? Como ser sempre
E sempre mudando?
Penso em Samsara, meu estômago dói,
Se revira como num círculo, sou Eu e Sou muitas
Todos os amigos e amantes que não tenho
Nenhuma informação é capaz de suprir os meus males de Ser

Os males do Brasil são: Amor, Preguiça e Compaixão.
É preciso estar aqui e agora, minha mente foi e não voltou.
Eu nasci e escolhi não estar mais neste lugar.

Quem sou eu? Onde estão os moldes?
Quero algum para vesti-los.
A carapaça de falar de uma profissão, de um casamento, de uma família e de filhos!
Sim, de filhos! Como poderia pensar...
Não quero estar aqui, não quero os moldes de Ser, mas também não quero sofrer.
Tantos dias sem escrever que até me perco.
As experiências do cotidiano parecem banais, parecem estáticas e desinteressantes.

Felicidade é para pouco acessar.
Onde estou eu? Onde está o outro?
Eu quero é pra barriga voltar.

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