narrador presente: Olá, eu sou o narrador(a) desta vida, agora me apresento como pessoa simplesmente , não sou onisciente não, sou gente e gente não lê pensamento e não deve entrar na vida dos outros de forma invasiva. o que se pode dizer é somente sua perspectiva inacabada, encerrada em si mesmo, sempre um esforço de aproximação com o desconhecido. Não, Isobeel não existe, Z.z tampouco, estas personagens não são pessoas comuns, você não as encontra nas ruas, justamente porque elas não existem mas moram dentro da minha mente imaginativa. A imaginação é foda, ela te leva a campos sem cavalo domado, e pode te tirar as estribeiras e deixar estrábica a visão, te tirar do foco oco do cotidiano e suas inevitáveis intempéries e desencontros e escolhas duras. A realidade, a parca realidade cotidiana já é muita e basta, é suficiente simplesmente o sorriso compartilhado, as mãos que se tocam sem segundas intenções, as palavras trocadas sem más intenções, as afinidades e as desafinações, a aprendizagem e as grotescas ignorâncias e grosserias, o desejo sincero de querer o bem a outrem são muito mais extraordinários do que qualquer metafísica amorosa. Aliás, este narrador(a) que aqui vos fala andou voando alto, entrando em espaços que não lhe pertenciam de forma agressiva. Não foi por mal, eu só queria encontrar a mim,e usei de outros para isso. Portanto não era amor, mas egoísmo. E acabei encontrando uma faceta sombria de mim que é o primeiro passo para amar qualquer tipo de amor. Conviver com as sombras, entender que as luzes são também afugentadoras, amar o drama e o trágico, amar a si antes de tudo, não projetar coisas, não mistificar o simples, isto sim é amar. O que é amar? Eu não sei, mas não quero viver especulando, quer só viver a verdade possível, sem grandes dramas. Por enquanto toco a verdade simples de que para amar não se pode esperar nada, é preciso deter-se. As personagens foram diluídas, a chuva chegou trazendo bons borrões, bons rascunhos. E rascunhos são só isso, retratos mal acabados , fragmentos não acabados, mas com um fim em si mesmos: ensaios, e ensaios não são o produto final, que bom! Eu desde o começo avisei que era apenas um fragmento,; fragmentos são apenas pedaços de coisas, coisas que deveriam ser mais decantadas antes de expostas. Fragmentos precisam ser esmerados, dilapidados antes de juntados, senão se junta coisas que não cabem da forma como projetamos. Escrever não pode ser um ato sujo, delinquente, escrever é responsabilidade séria, e eu não fui ela. Nossas personagens, nossas personas, nossas máscaras são sim necessárias, mas um dia elas precisam ser tiradas e só sobrar o ser. Isobeel e Z.z conviveram comigo durante alguns dias, semanas, meses. Eu os amei, porque amo também minhas sombras distorcidas, elas me compõem no melhor e pior que há em mim.
Mas o que há do melhor do rascunho , do fragmento é que ele é só um "quase", ele é só algo que não acontece, não aconteceu, mas pode acontecer, e pode mudar, e o melhor mesmo a libertadora e franca e necessário ato de rasgá-los e jogálos no lixo, varrendo as imprecisões.Isobeell e Z.z se amam sim, mas um amor sem catálogos, sem compêndios, sem esperanças, sem idealizaçoes e projeções, sem contornos definidos, se amam como se amam dois amigos distantes, mas próximos em similitudes.
O sonho de Z.z:
Z.z que costuma sonhar muito esta noite teve um sonho em branco. Um sonho oco, capotado, exausto, nem sonhou, dormiu que nem pedra quieta. Ai que bom!Acordou e foi dormir de novo, sem sonhos, só corpo. Z.z viu então que Isobeell era um sonho com melodias fora do tom, não uma realidade. Bocejou, espriguiçou e deus graças a deus que Isobeell como sonhara não era real e nem falava. Porque a verdadeira Isobeel que foi se aproximando aos poucos era muito melhor que a sonhada. A sonhada era insossa, era insensata. Na realidade, é Isobeel quem desperta Z.z. A Isobeel verdadeira mora dentro do desconhecido. E não entender plenamente os sonhos, salva-nos de solilóquios e bota-nos no diálogo!
É o fim dum fragmento, o começo de uma história real, suja, suja, nada purpurinada, humana com feridas expostas, e mãos e pés, e carne e osso, e diálogos sinceros.
Fim, finalmente!

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