30 de outubro de 2007

Meu cantinho preferido

Achei um lugar meu nesta escola até que enfim!
É uma mesa no pátio cujo lado esquerdo conta com a presença de uma árvore chamada Tipuana toda ereta no tronco e com duas bromélias que a habitam em suas duas principais bifurcações.
No pé da Tipuana tem um canteiro circular que a envolve recheado de onze horas rosas-choque que, pontualmente, se abrem a esta hora matutina. Nem todas ao mesmo tempo, né, afinal algumas são mais cheias de "nove horas" ou mais preguiçosas como tudo que é rosa.
Por que este é o meu lugar?
Porque este é o que me conforta.
Aqui eu sou uma boa companhia para mim mesma e a Tipuana me protege.
Ninguém me vê mas eu não estou escondida.
Daqui eu posso ver as coisas e as pessoas com um olhar distanciado e as pessoas para mim também. Elas sorriem al longe e de longe e se solidarizam comigo como quem observa com carinho alguém querido dormindo.
Aqui somente eu, Tipuana, meu caderno amarelo e minha mochila azul que eu tenho faz dez anos, meu Deus!
Aqui o mundo do muito ínfimo e o mundo do muito vasto se tangenciam num flerte aconhegante.
Aqui me encontro.
Aqui me acho.
Aqui me coloco.
Aqui me olho e aqui me reparo.
Aqui aliviada repouso: achei um lugar que me acolhe e me recolhe!
Que bom isso que É!

Silvano e Sofia

Hoje foi a segunda vez que os vi caminhando até minha direção. Sofia me viu primeiro, eu reparei.
Silvano parou para ela me ver melhor mas ela deu as costas para mim.
Em vez do focinho, ficou na transversal e me mostrou o rabo abanando.
Dizem que os cachorros abanam o rabo de felicidade.
Quem estava na minha frente que fez Sofia sorrir? Não vi. Ela com certeza sim.
Silvano é o que, no Brasil, convencionamos a chamar de moreno simpático e Sofia é uma beagle que tem pinta de vira-lata. (sempre quis um Beagle por causa do Snoppy do Charlie Brown e sua turma).
Silvano achou Sofia na rua. Os dois se acharam.
Nunca apreciei muito cachorros com nome de gente mas para Sofia me rendo; ela é uma pessoa; ela tem cara mesmo de Sofia. Gosto de Sofia.
É sempre de manhã nossos encontros casuais na frente do Colégio onde leciono, quando me sento na muretinha nos intervalos das aulas para fumar.
Na verdade, eu percebi que " fumar é uma maneira disfarçada de suspirar" *.
Verdade, poeta, percebi que eu fumo não para fumar, mas para soltar fumaça., como quem conversa ao vento, de papo pro ar esfumaçante, como quem engole silêncio e sorve pensamentos, como quem precisa respirar e segurar desesperada e inutilmente algo volátil entre os dedos.

* verso de Mário Quintana.

25 de outubro de 2007

Sete dias

Hoje faz sete dias.
Sete faces minhas foram reveladas e em setes dias eu cresci sete anos. Neste mundo cão, grande parte do aprendizado não é pelo prazer mas pela dor.
Por ter perdido minha carapaça tão confortável ao tamanho do meu corpo, por estar agora recolhida até que cresça outra que caiba ao novo tamanho do meu corpo, por ter perdido muitas ilusões e por ter achado outras crenças e no que me agarrar, eu hoje resolvi escrever na minha pessoa. Sim, na primeira pessoa, porque perdi minha antiga persona.
Quase nunca escrevo na primeira pessoa do singular, a maioria das vezes é na forma impessoal reflexiva com a partícula " se" ( Sabe-se) ou na terceira pessoa do plural " nós" (Sabemos), ou com sujeito indeterminado (Sabem).
Mas eu hoje não posso mais me esconder num sujeito oculto, indeterminado, reflexivo e impessoal porque tudo de que vou falar eu aprendi, eu, (Sei).

Também não usarei de metáforas e nem metonímias, nem analogias porque de repente a realidade ficou tão crua que só se pode falar do que se é.

Eu, nestes sete dias, sofri a dor da morte, da interrupção brusca, da culpa, da insegurança, da vulnerabilidade, do luto.
Sofri a dor da separação e a busca desesperada por conforto e explicação, por amparo e por razão.
Hoje, ainda muito dentro de tudo isso, minha vida recomeça.
E eu posso dizer do que senti e do que aprendi.
Aprendi o que é a compaixão, o que é se por no lugar do outro. E com quem ficou foi tanto procurar se amparar no outro e se colocar na pele dele que eu senti não só a minha dor mas a dor de todos. E me fundi em todos.
No dia a dia, quase nunca fazemos isso porque sofrer a própria dor já é demasiado. Mas em eventos dramáticos como o que aconteceu, sofrer um pouco a dor do outro era uma forma de sofrer menos, por incrível que pareça, pois a compaixão nos tira do eu, de transformar a dor "numa coisa só nossa, isso sim é egoísmo".
" a tristeza é uma forma de egoísmo".
E eu não podia ficar triste por muito tempo, a falta nunca será suprida mas se eu caísse muita gente cairia comigo. A gente tem que se preservar em alguma coisa e minha defesa foi pensar que fazendo uma sopa e tirando o lixo era uma forma de sair de mim mesma e esquecer minha dor.
Eu nunca vou conseguir relatar tudo o que foram aqueles dias, minha necessidade louca de contar para todo mundo, como se contando eu passasse a acreditar que era real, que não era mentira. Era preciso que eu acreditasse que tinha acontecido, por mais doído que fosse. Eu que sempre tive repulsa de ir a velórios, quis ir e ver a última imagem.

Aos poucos, a vida foi me mostrando que ela não pára nunca. Que as pessoas vão respeitar seu silêncio por um tempo mas logo vão começar a exigir sua sanidade, sua coerência, seus afetos, seus ouvidos para os problemas delas, para os compromissos.
Aos poucos eu fui vendo isso.
Hoje faz sete dias e faz sete anos, hoje eu estou aqui e a vida se impõe soberana.
Tenho que continuar e firmar minha cabeça, os prazos estão vencendo, as contas também, o namorado está me ligando, a água do chá está fervendo e não vai dar para dormir mais cinco minutinhos.
Se eu aprendi uma coisa foi a força da palavra serenidade. Nunca ela me foi tão preciosa num momento tão delicado como esse. Serenidade, era a palavra chave da oração de São Francisco que vivia pregada num pergaminho na parede da minha casa de infância. Não lembro ela toda mas dizia mais ou menos assim " serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar e coragem para mudar as que posso".
Eu que nunca faço orações, senti uma vontade absurda de fazer, porque era como se alguém me escutasse e orando era como dizer para mim mesma.
Serenidade para não exigir nada de ninguém num momento como esse, as pessoas não sabem como agir " coitado, eles não sabem o que fazem".
A vida está aí batendo na minha porta, e eu ainda não estou totalmente pronta (madadayo- ainda não!) dizia o professor japonês.
Mas o que tudo isso me ensinou é que nunca estamos prontos, nunca teremos as condições ideais, nunca seremos perfeitos, nunca estaremos prontos, inacabados que somos! Que bom, isto me conforta para não exigir demais da vida e dos outros.
Estamos vivos, esta é a nossa condição. Qual é o gosto da vida? É fel e é mel.
É isto que aprendi, estou livre para experimentá-la em todos os seus matizes.
Permito-me ser, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
Permito-me ser não um coração só, permito-me dar um pouco do meu e receber um pouco do próximo.
Permito-me o silêncio e permito-me me lançar no vulnerável.
A vida é frágil, cuidemo-nos todos!



O aprendizado fundamental

  • " um abraço de coração com coração colado é como se colasse mais um pedaço do coraçãozinho partido".
  • " e chore bastante, e quando não tiver mais força nem pra chorar, olhe pro céu, fique perto da natureza, fique sozinha, por incrível que pareça ajuda ficar perto da natureza".
  • " as pessoas não sabiam o que dizer e nem eu, elas ficavam ao lado e me abraçavam, e cada abraço ia colando mais um pedaço do coração".

(Beka)

A tempestade

A tempestade ainda não passou.
Depois de tanta seca, o céu resolve cair em abundância.
Tudo é grande, tudo se tornou exagerado.
Sentir é exagerado, chorar é exagerado, amar é exagerado, cuidado é exagerado, busca é exagerada.
Esta tempestade tirou-nos do estado de latência. Agora estamos aí nuas, nuas, nuas, molhadas na rua.
Quem nos protegerá? Um Deus? Um pai? Uma mãe? Um amigo? Um cachorro?
Esta tempestade veio para dizer que a solidão é nosso estágio primordial, pra não esperar tanto, pra não esperar que algo ou alguém venha em socorro de nosso medo da chuva. Não virão talvez. De tanto esperar as pessoas se decepcionam, logo, se não esperam não se decepcionam e podem continuar juntas.
A tempestade veio para arrancar todas as carapaças, todas coisas impregnadas na nossa carcaça cansada e humana, humana.
A tempestade vai passar. Não pra sempre. Virão outras,sabemos, realisticamente sabemos. Enquanto ela não passa o que nos agarra é que ela um dia vai passar. Ninguém pode chover tanto, afinal.
O que me dói é que os dias nublados são reservados para serem dias duros de viver, cinzas e indefinidos. O que dói é a indefinição: até quando?
Até isso a tempestade veio para nos anunciar: tempestade ninguém planeja nem quando termina nem quando começa, somos vulneráveis, ora.
Até isso a tempestade veio para nos desanuviar: se não se pode detê-la, tente deter-se. Detenha-se!
Páre um segundo, olhe. Tá vendo? Enquando a tempestade não passa a gente se aninha, dormindo encolhido em posição fetal, tá frio, venta, dá a mão, enquanto ela não passa.

21 de outubro de 2007

Epitáfio
Titãs
Composição: Sérgio Britto
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...(2x)
Devia ter complicado menosT
rabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...


e agora a gente fica assim, nós três, pensando no que podemos fazer pra poder viver.
alguma coisa temos que aprender, quem sabe seja o viver apesar de.

de carne e osso!

Cérebro Eletrônico
Marisa Monte
Composição: Gilberto Gil
O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo
O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço.
Eu penso e posso
Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei
Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro

20 de outubro de 2007

A um ausente

A UM AUSENTE -
DRUMMOND
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

seu perfil virtual e real

ontem, ainda em estado de choque, fui ver seu orkut.
brincamos que quando uma pessoa desativa sua conta de orkut ela cometeu orkuticídio.
vc não, seu orkut continuará ativo, um fantasma de orkut, depois que você cometeu o seu.
as pessoas estão colocando scraps ainda pra lá.
o mesmo vai acontecer no seu email.
e na sua caixa postal e celular.
as contas vão chegar na caixinha dos correios e não terão a quem reclamar a dívida.
quitadas todas!
todas as contas do colar do terço!
que clamam por saber o que nunca se saberá;


isto abaixo estava escrito no perfil dela. e me tocou, aí eu entendi que nada é súbito, tudo é processo, mesmo a morte, mesmo o suicídio.

" Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma".
(Fernando Pessoa- Ricardo Reis)

É... Deise, vc que atriz emprestou tantas vezes seu corpo para os outros, para outras vidas e conflitos e sorrisos, que não sabia qtas almas tinha, e cada momento mudou e continuamente se estranhava e nunca se viu e nunca se acabou. e que de tanto ser, tornou-se alma....
Sua alma é infinita, acredite!

CANÇÃO PRA VOCÊ VIVER MAIS

Canção Pra Você Viver Mais
Pato Fu

Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer:
Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar
Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de ser só um
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Alguém pra se lembrar
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo que eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Deixei que tudo desaparecesse
E perto do fim
Não pude mais encontrar
O amor ainda estava lá
O amor ainda estava lá
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Uuuuh... uuuhhh... uuuuhhUuuuh... uuuhhh... uuuuhh
Faz um tempo eu quis
Fazer uma canção
Pra você viver mais
Faz um tempo eu quis
Faz um tempo eu quis
Você viver mais
Uuuuh... uuuhhh... uuuuhh

eu sei, não precisa explicar, não é por mal que nos fez chorar.
hoje eu quero chorar chorar tudo, sentindo que cada vez mais meu coração é sugado com força centrífuga.
mas isso é bom.
eu só queria ter podido ter tempo e percepçao para fazer uma canção pra voce viver mais,
não deu tempo.
quando vi, voce já nao tinha ouvidos.
entao escrevo como louca, catártica, como se me escutasse.
sei que não e sei que sim,
minha lucidez será assumir minha loucura. Isto você me ensinou. E é o que vai curar esta dor e te fazer viver mais, pequena!

já vai? será? e o que vai ver?qdo volta? me escreve e me conta o que viu?

Primeiro Andar
Los Hermanos
Composição: Rodrigo Amarante

Já vou, será
eu quero ver
o mundo eu sei
não é esse lá
por onde andar
eu começo por onde a estrada vai
e nao culpo a cidade, o pai
vou lá, andar
e o que eu vou ver
eu sei lá
não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber
se alguem numa curva me convidar
eu vou lá
que andar é reconhecer
olhar
eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou
Eu escrevo e te conto
o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim
eu preciso andarum caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou


Deise, estamos sofrendo, fazendo drama, psicodrama, fazendo disso uma dor inevitável.
Estranho, você antes só nos fazia rir.
E deve achar muito triste que a gente fique assim.
Você foi lá e não sabe o que vai ver e nem quando vai voltar.
Nós aqui enquanto choramos estamos procurando serenar nossos corações com a constatação dura de que às vezes a sorte e a vida é preciso ser tirada pra se ter.
Guardaremos um sonho bom pra ti, minha querida!
Te escrevo e te conto daqui,
e assino como assinávamos nossas missivas terrenas,
Beijocas, Narigadas e Purungadas

me explicaaaaaa

sei, vc tbm não sabe.
nunca saberemos.
que a curiosidade sufoca eu já sabia
que a curiosidade que nunca se saciará asfixia o que aqui fica é que eu não sabia.

me explicaaaaaaaaaaaaaaaaaa

ELA SE FOI , SEM DAR EXPLICAÇÃO, SEM DEIXAR VESTÍGIOS, BILHETES, DIÁRIOS, OLHARES DE AJUDA, SINALIZAÇÕES DE SOCORRO. ELA SE FOI.... E AGORA? ANTES, FOI SE CONFESSAR COM O PADRE. DEIXOU LÁ SUAS RAZÕES DO CORAÇÃO DILACERADO E ANGUSTIADO. MAS O PADRE TEM A BOCA COMO UM TÚMULO, É PROIBIDO REVELAR O QUE LHE É DITO EM CONFESSIONÁRIO. PODERIA QUEBRAR APENAS ESTA DOUTRINA PARA DEIXAR A GENTE PELO MENOS COM ALGUM VESTÍGIO DE SEU ÚLTIMO E DERRADEIRO MOTIVO.

me explica, Deise!


Me Explica
Pato Fu
Composição: John/Fernanda Takay

Me explica
Havia você e o céu
Havia você e o mar
E já não há
Me explica
Me diz onde vim parar
Pois quem sempre esteve aqui
Já não está
Querem saber
Como é estar aqui
Lembrar e esquecer
Como sobrevivi
Querem saber
Se já me sinto bem
Eu digo: melhor
Pra sempre tão só
Mal posso imaginar
Que não há mais ninguém
Que vá ficar em seu lugar
Me diz qual a razão
Pra eu não ir também
Me diga já
Onde ele está
a

vida

tem imprevistos

os imprevistos nao dependem da gente

a vida tbm tem improvisos

estes sim dependem da gente

da nossa escolha por liberdade, por refutar um mecanicismo

dos gestos, das falas, dos rumos

o amor é imprevisto e improviso

aprender o pêndulo , o caminho do meio é um jeito...

cortam os dilaceradamente à procura de paixões avassaladoras:
"ah não sem essa de caminho do meio!!!!"

contesta o sábio budista: ...é um jeito nada mediocre de ir levando com louvor a vida

fim.

(poema de improviso para uma mulher amada, porém ainda não amante. para uma mulher desejante, porém ainda vacilante. para uma mulher que está viva!)

2 de outubro de 2007

sou noveleira...

Maysa (Resposta)


Só digo o que penso
Só faço o que gosto
E aquilo que creio.

E se alguém não quiser entender

E falar pois que fale.
Eu não vou me importar com a maldade
De quem nada sabe.

retirado do blog mais pop dos ultimos tempos www.sounoveleira.blogspot.com
da minha amiga Izadora.
o dela é, ou era...um blog temático. só de novelas. agora ela quer escrever sobre o que quiser, não só de novelas. tá lindo! vejam! eu nao sou noveleira e não tenho tido tempo de saber quem matou a Tais, mas acho que a Iza não tá falando de novela, é outra coisa. É o que não vemos sozinhos na novela.
Queria poder ter tempo de comentar das novelas com as minhas amigas....
eu também queria ter um blog temático e ser menos pernóstica, falar do que todo mundo fala e todo mundo entende, mas não consigo. parece que desdizer e dizer pouco ou muito do mesmo é a minha sina.
mas agora eu estreio aqui uma parte temática dentro desse blog mutitemático.
agora falarei só sobre Mulheres. Mulheres fortes. temperofortes.
Inspirada no livro Mulheres- de Eduardo Galeano- que eu ganhei de um hombre forte y sincero. Terminei há poucos o livro e agora quero continuar, eu mesma a falar delas.

se Maysa é existencialista, mais ainda a senhora Beauvoir:
" eu gostaria muito de ter o direito, eu também, de ser simples e muito fraca, de ser mulher"

porque, segundo ela,

" ninguém nasce mulher, a gente se torna mulher".

aguardem, nos próximos posts, inauguro a sessão Mulheres.,,,

recomendo: escutem Maysa cantando "ne me quitte pas"....é de cortar os pulsos!