21 de março de 2007

gaveta aberta

"A GAVETA ABERTA
TEM EXPRESSÃO
LIBERTA."
(millôr fernandes)
e eis que depois de passar a manhã massageando os órgãos internos e aprendendo a respirar para ver bolas de cores quando com os olhos fechados ela decide, enfim, abrir as gavetas todas.
sempre se lembra daquela escultura de Dali que viu, estupefata aos 17, no Masp,
as pessoas têm gavetas, não?
o quarto está o caos,
as coisas estão prenhes de cosmos.
mergulhando nesse caos das portas e armários e gavetas e mil bilhetes e agendas todos postos à fora, no chão, espera ela que ela mesmo renascerá, não como uma burocrata de si mesma que exige de si prazos e papéis a desempenhar, mas será livre...jogar coisas fora, jogar poemas nunca completados, ou completar aqueles projetos que nunca mais achou na bagunça de si.
" disciplina é liberdade", não?
e vai respirar, entendendo cada gaveta sua, cada faceta nua, cada cor que brota quando entende seus órgãos, suas funções, suas gavetas, suas desordens, caos e cosmos.
é, né, menina bonita essa: a cosmética da caótica, seu lema agora.

19 de março de 2007

ao redor do fogo...ao redor de mim...tocando o fogo com a ponta dos dedos...é um risco, é um desejo!




Ao redor do fogo
conversa fiada
tecendo o tempo!
Tânia Diniz

O céu, que é perfeito,
andou jogando em seus olhos
o dom do infinito.
Humberto del Maestro


coisa rara:
teu espelho
tem minha cara
Millôr Fernandes


apaga a luz
antes de amanhecer
um vagalume
Alice Ruiz

Jasmineiro em flor.
Ciranda o luar na varanda.
Cheiro de calor.
Guilherme de Almeida


alta madrugada,
vaga-lumes no jardim
brincam de ciranda
Zemaria Pinto


Será mais bela a noite acesa?
sussurra a voz dela
prolongando o crepúsculo.
Etsujin

cerimônia do chá



eu sempre fui daquelas que gostam de segurar a xícara quente com as mãos..
porque
"o essencial é invisível aos olhos"

a saleta vai ficar vazia de duas Mari...




A Mari está nos deixando....vai viver noutra casa,,,,e vai levar seu quadro da Marilyn.
Triste pensar que esta foi a foto do último dia.
Mais de um ano convivendo com alguém numa casa não cabe em foto nenhuma.
É sempre um buraco.
Toda vez que eu olhar o buraco do prego que ficar na parede, vai ser triste...
será triste.

Adeus, Berne!




Ele me acompanhou por uma trajetória importante da minha vida: desde o trabalho de campo com os índios, passando pelo meu aniversário, o retorno às aulas..
Acho que ele se hospedou em mim durante o trabalho de campo na terra indígena, voltei cheia de picadas mas esta permaneceu e coçou e coçou....até que fiquei com um buraquinho que não cicatrizava nunca e foi aumentando de tamanho, às vezes doía como uma fisgada de anzol.
Hoje eu fiz o parto! Saiu inteiro como aquele da foto!
Parto difícil, hã!
Estou desde sexta-feira em trabalho de parto deste meu filhote....
É assim: coloca-se um bacon ou toucinho, enfaixa-se, deixando tudo tapado pra ele ficar sem respirar, até que você começa a sentir umas pontadas, é ele tentando respirar e sair .
Quando ele sai tem que puxar com uma pinça...

Estou tão sozinha que até que tô sentindo falta do meu bernizinho....hahahahaha


Apelidei-o de "Bernstein"...pois notei que poderia ser um Berne no período em que estava escrevendo artigo cuja referência teórica foi o sociologo Basil Bernstein....

Adeus, Bernnie!
Saia deste corpo que não te pertence mais!

14 de março de 2007

dshagdhasgdhjasd

10 de março de 2007

Toda sexta feira II

Aí ela vai pra casa e despenca-se na cama, demora a dormir, é intensamente calor nessas épocas do ano e ela, sozinha, não tem ninguém pra lhe assoprar as costas.

Mas aí ela acorda e conversa com suas companheiras de república e faz comidinhas e caminha um pouco na chuva.
Toda sexta feira foi assim mas o sábado pode ser outra coisa. Então prossegue.

"Riobaldo, a colheita é comum mas o capinar é sozinho"

E não se esquece disso. Jamais. E prossegue.

toda sexta feira

Toda sexta feira ela tem vontade de chorar.
Não era assim antes, mas tem sido desde então.
Ela sente-se tentada a perguntar-se "por que?" e o sentido disso.
Toda sexta-feira, desde então, uma voz interna irrompe-lhe assim:

"Riobaldo, a colheita é comum mas o capinar é sozinho". *

Mas ela nao chora, a coisa fica dentro, adentramente.





*frase do livro Grande Sertão Veredas, Guimarães Rosa.