"A GAVETA ABERTA
TEM EXPRESSÃO
LIBERTA."
(millôr fernandes)
e eis que depois de passar a manhã massageando os órgãos internos e aprendendo a respirar para ver bolas de cores quando com os olhos fechados ela decide, enfim, abrir as gavetas todas.
sempre se lembra daquela escultura de Dali que viu, estupefata aos 17, no Masp,
as pessoas têm gavetas, não?
o quarto está o caos,
as coisas estão prenhes de cosmos.
mergulhando nesse caos das portas e armários e gavetas e mil bilhetes e agendas todos postos à fora, no chão, espera ela que ela mesmo renascerá, não como uma burocrata de si mesma que exige de si prazos e papéis a desempenhar, mas será livre...jogar coisas fora, jogar poemas nunca completados, ou completar aqueles projetos que nunca mais achou na bagunça de si.
" disciplina é liberdade", não?
e vai respirar, entendendo cada gaveta sua, cada faceta nua, cada cor que brota quando entende seus órgãos, suas funções, suas gavetas, suas desordens, caos e cosmos.
é, né, menina bonita essa: a cosmética da caótica, seu lema agora.

