30 de Novembro de 2005

Tenta tantra!






_ O que é o tantra?- eu pergunto.

A primeira vez que ouvi falar essa palavra tantra que a mim soou como um mantra, arrepiei. Foi minha amiga do novelo labiríntico de Dédalos quem disse. E isso nós duas, super ninfetas, 16 anos. Ela contava que queria exercitar com seu namorado de 18. Meu, será que os adolescentes dessa nova geração videoclíptica-malhação se perguntam sobre o que é isso? Acho que não, o sexo deles é de capa de revista e só.

Bom, mas o fato é que minha amiga não conseguiu exercitar esta técnica milenar com seu namorado da época. Ele era muito branco, ocidental, cristão, pequeno burguês para tal.

Uns tempos depois, ambas aos 19, ela me falou que enfim conseguiu achar um namorado interessado e já iniciado nessa cultura oriental. Ela me contava, não tanto em detalhes mas me lembro de expressões de sua descrição do ato como: "a gente voa", "eu encosto a pele nele e dá choque", "vejo cores cintilantes", "não tem pressa", "ele não ejacula rápido e às vezes até segura pra não desperdiçar a energia vital sexual", "os meninos, em geral, não tem muito saco para os toques preliminarares querem ir logo às vias de fato - o que complica para nós mulheres; neste não, às vezes demora horas" Pensei: _ Porra, esse négocio é bão hein!


Agora novamente escuto esta palavra tantra e tanta coisa passa pela minha cabeça e pelo meu corpo. Agora é outra pessoa quem diz e igualmente me arrepia. Minha ignorância é proporcional à minha curiosidade.

Sim, estou cansada do mundo ocidental, branco, cristão, pequeno burguês que separa mente e corpo, carne e alma. O tantra parece fundir as coisas e o sexo vira sagrado e não um ato pecaminoso como aprendemos desde tenra idade. Há tantas coisas que não sei, mas uma coisa eu sei, sou tantas e preciso sê-las antes de morrer. Daqui a pouco vou colocar anúncio no jornal: "procura-se mestre no ofício do amor, desesperademente. assinado: menina afoita". Quem sabe, se eu tiver tanta sorte, eu encontre quem me oriente de um modo louco a chegar lá....no Oriente!.

Carne



quero sentir o gosto

vermelho-rosa

da sua carne

crua-nua

na minha boca úmida

29 de Novembro de 2005

E o sininho bateu!

A vida da minha amiga tava assim meio insossa sabe?!
Ela chorava, tava se achando feia apesar de ser linda, achava que ninguém a amava corria atrás de um tosco que é tão tosco que não sabe que inteligência é afrodisíaco, mora numa merda de cidade e não via perspectiva de ser feliz....

Mas eis que

de repente não mais que de repente

surge ele na sua frente por uma sorte burocrática veio trabalhar ali naquela merda de cidade.

E antes do sinal da escola bater

eis que

olho no olho, sorrisos e simpatia, empatia, flertes.....

O SININHO bateu!!



Desapaixonite

"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
com sabor de fruta mordida
Nós na batida no embalo da rede
matando a sede na saliva". (caetano veloso)
Dizem os especialistas, como o psiquiatra Paulo Gaudêncio que a paixão é desejar muito um objeto ausente. Logo, quando se dá a conquista perde-se o interesse.
Se cálculo há, minha paixão durou menos de um mês, precisamente (29 dias). Chegou tão de repente, no susto, fui assaltada pela involuntariedade dos meus sentires voluptuosos. Mas vai saber? Quem sabe você sempre desde tenra idade esteve presente no meu sonho burguês de ser mulher de um marido. E putz, você tem uma cara de marido e genro ideal. Quem sabe eu tenho deslocado para você todas as minhas expectativas frustradas, meu próprio desamor, meu sofrer em vão, meus desejos secretos.
Mas você sempre esteve ausente, era muito pra mim, o inatingível, por isso talvez a paixão ia se avolumando a cada dia que passava, no desejo fremente do encontro.
Mas se Paulo Gaudêncio diz que depois da conquista, perde-se o interesse, eu não te conquistei, como então desapaixonei?
O psiquiatra continua dizendo que a paixão não pode se sustentar por muito tempo mesmo pois altera toda nossa química cerebral a ponto de não dormirmos e comermos direito, ficar desatento...É, eu penso que de fato a paixão é um problema social, imagina todas as pessoas do mundo constantemente apaixonadas? Aí instauraria-se o caos e a derrocada do sistema capitalista mesmo, afinal, quem quer trabalhar se já há tanto trabalho apaixonar-se? E o sistema capitalista só foi possível estabelecer-se mediante a disciplina do corpo, a renúncia às tentações e paixões em prol de uma vida ascética dedicada ao trabalho.
Paulo Gaudêncio diz que ao contrário da paixão, o amor é a manutenção da conquista. Mas então eu tô te amando, minha paixão irrefreada está se tornando pouco a pouco uma coisa mais serena e desencanada como quem estivesse deixando em conserva algo que não pode ser comido já pra acentuar melhor o sabor. (sabor de fruta mordida? a primeira mordida: a paixão)
Engraçado este Paulo Gaudêncio, ele diz que a paixão deve então ser deslocada para o trabalho (capitalistinha ele né! produzimos mais pro patrão quando nos apaixonamos pelo que fazemos. E isso, Dr. , paixão pelo que faço ainda bem que eu tenho, senão tava frita agora). Segundo ele, no plano afetivo não devemos buscar a paixão como fim em si mesmo, mas o amor. Mas porra Dr., é tão bom! Eu que sou uma pessoa que não se apaixona por outrem tão facilmente assim fiquei tão viva por causa daquele rapaz, e isso até se refletiu no meu trabalho, fiquei até mais bonita, dizem, e mais alegre, os alunos diziam que eu tava mais engraçada.
Certo, Dr., o problema da paixão é que se ficar só nela não nos aprofundamos em todas a possiblidades do ser, fica superficial. Mas que droga, quem disse que quero ficar só na superfície? Quero entrar e ficar.
É, a paixão tá morrendo e ele é o culpado porque ele está presente é com outro bem.
E eu que faço? Já tô fazendo, mudei meu objeto de desejo pra outra paixão. Mas aparentemente não como aquele que embora fosse essencialmente paixão, havia também carinho, admiração, afeto, ou seja, um brotinho de uma bom amor que bem poderia vir a surgir. Quem sabe eu esteja enganada e seja este novo que vai matar minha sede de amor-paixão. Mas não tenho mágoa não, você me despertou coisas lindas que só posso agradecer a uma pessoa.
Mas é. Vamos lá, enquanto não te tenho minha paixão-amor vou matar minha sede com outras salivas e línguas.

Hai Kai do BÀLI- HÀI



eu me incenso

nonsense

não é questão de bom senso

alta madrugada

um olhar distante

"Do pó viemos, ao pó voltaremos!"

Se da pós viemos, à pós voltaremos,
somos unidos pela pós, pós, pós.....
Acima trata-de uma livre adaptação minha da música dos Das Aranhas(por onde anda essa banda, alguém sabe?! puta como dancei isso na praieira!!)
Pois é, porque acabo de chegar da pós, da prova da pós graduação,
dia 5 sai resultado e vejamos...
Fiz uma prova que José Serra amaria.....super genérica! E ainda como sempre no final dei aquela viajada no diálogo entre os autores arrumando nãoseiquêsutis relações malucas entre os autores, todos uns revoltosos contra os outros mas eu os confraternizei sob um viés não sei como!!
Bom, mas acho que devo passar de acordo com tradicional política da seleção de não reprovar ninguém sobrando vagas a menos que este seja o "maior pior"dos piores...
Mas meu, se eu não passar e alguns daqueles fodidos cujo nome omito, passarem....arre égua que eu vou rodar a baiana! Não têm algum comprometimento com a causa professoral, só vão fazer pra mais um título assim como foi pra eles a graduação...e eu sei que eles odeiam dar aula de sociologia no ensino médio pois fui prof. do estágio deles....aqueles toscos que não devem ter assistido nada das minhas aulas, só dando sorrisinho irônicos mas suas aulas mesmo foram uma &^%$@# não fizeram nada durante o ano inteiro, eu quebrando todos os galhos possíveis pra eles e....certamente arregaçaram comigo no relátorio de estágio que deve correr nas mãos dessa galera de docentes comprometida com a licenciatura. Edependendo da calúnia ela pode me prejudicar na seleção, eu suponho. E cara....serão esses mesmo docentes minha banca da entrevista (isso se eu passar...)Mas vai cagar! Espero que eles não passem não, mesmo eu passando, não quero suportar a cara de você mais um ano! e não merecem, não mesmo...afff..
Não tô escrevendo isso aqui pra me auto-promover não, nenhum professor meu lê isso aqui , muito menos os da banca, tive várias e várias oportunidades de dizer a eles como quem não quer nada que eu vou prestar só pra jogar um charme, nos sambas, feijoadas, e churrascos que os vi porque temos amigos em comum mas eu tenho muita timidez e dignidade pra essas coisas, sou meio weberiana nesse sentido, sabe? Vamos acabar com o "homem cordial" dentro da academia que ainda está na lógica do patrimonialismo, só passam os pupilos do senhor reitor(nossa! da onde tirei essa?!hahahaha)
enfim, malditos que não querem que passem ....quero que vão pastar,,,,,o negócio é o seguinte...não tomem meu lugar não porque realmente, sem demagogia alguma:
quero fazer essa pós em ensino de sociologia no ens. médio/sociologia da educação ae porque eu amo pra caralho dar aula, falô!!

comichão e coçadinha!

Está coçando na frente do pescoço, atrás, um pouco acima do cóccis, bem no meiinho das costas onde meus dedos não tocam (ai q raiva!), no ombro, no tornozelo,nos seios, na cintura, no queixo...e está se espalhando...faz umas bolinhas vermelhas e um leve ardor que é até agradável.
que será q é isso?
é contagioso?
como contrai? posso passar pra alguém?
pega quando se come no chão?
comichão e coçadinha!
pó de mico?
será que tá coçando porque a minha pele sente falta da sua pele roçando nela?
ou é algum efeito colateral pra sua falta de carinho?


28 de Novembro de 2005

Acorda pra vida, guria!

Acorda pra vida, guria!
Ou quer ser gauche(1) na vida?
O despertador do celular já tocou!
Ainda não despedaçastes esta dor da sua vida?
Você tem prova hoje, esqueceu?
Tem emprego, casa, quer juntar grana pra ir pra Vênus e ela.
Acorda, guria!
Toma café, lava essa cara, passa colírio e rímel e vai à luta, sua frouxa!
Vai ser poeta andarilha! Se liga, guria!
Vai viver de poetar? Vai é se estripular.
aguenta mais um pouco querida, que o ano já vai acabar!
falta pouco,
só um soluço pra você arrotar e gozar.....a vida!
"Ouça-me bem, amor, mal começastes a conhecer a vida, já anuncias a hora da partida... "a vida é um moinho, vai triturar seus sonhos no caminho"(2)
"Vai trabalhar vagabunda". (3)
Poesia só alimenta a alma e olha lá.
Boemia só alimenta a embriaguez e olha lá.
Guria, querida, ouça-me bem, meu bem,
vai logo que é pra teu próprio bem.

(1)- Carlos Drummond de Andrade
(2) Cartola
(3) Filme brasileiro, versão feminina minha.

Café arterial:

Café nas veias.
São mais de seis da matina de um dia cuja noite anterior eu não fui dormir e nem vou acordar. Encontros oníricos.

"Sou humana, demasiadamente humana, e nada do que é humano me é indiferente"- sabedoria trágico grega.

Tenho sentido uns troços estranhos. Estranho-me. Uns humores exaltados, umas emoções escarafunchadas bem no âmago do umbigo e no íntimo. Será normal?
Tendo dormido mal, tenho pensado muito.
Minha cabeça até desentectualizou-se um pouco à medida em que foi se descabeçando e se descabaçando.
Tenho pensado muito com as partes baixas do ventre e isso me deixa livre ou presa pra dentro?
Não consigo parar de escrever obscessivamente.
Acho que preciso novamente de uma pitada de psicanálise pra me descabelar. Comportamental eu não faço porque não quero me domesticar nem livrar-me dos meus atos mais vis e sujos.
Sou impura. Sou Geni, "sou boa de cuspir".
Quem me vê passar pode até pensar que eu sou um anjo. Um anjo, amigo? Só se for um anjo caído.
Não paro de pensar nas possibilidades virtuais de me debandar temporariamente e temperofortemente para o lado de lá. Mas será?!
Meu grafite, minha psicocaligrafia simultânea com meus deuses e deusas que emanam amor, posse, desejo, fissura, loucura. E eu posso com tudo isso? E eu dou conta? Faço as contas e percebo que vale a pena, - já considerando as perdas e danos,- não posso, afinal ficar em dívida com a vida. E a vida tem me dado tanto, convém não recusar pois pode não mais chegar. E "é preciso viver tudo", como já diria Rilke e "deixar que cada impressão chegue à realização plena do ser".
E impressões bobas como "quem sou, de onde vim, para onde vou"- já não fazem mais sentido pra mim. Parei de me voltar para meu auto solilóquio ultra solipsista e me joguei alarmada para o Outro. Mas não o Outro absoluto, mas o Outro de carne e osso. E é para este que pergunto:
_ "quem é? de onde você veio, meu amor? para onde vamos?"
O meu dedo do meio da mão direita tem um calo saliente dado a pegada na caneta, lápis ou pena. Não tenho pena dele, eu até gosto- gosto porque denuncia justamente o meu vício de meter poemas e compor poemetas.
Nada disso, entratanto, me denuncia a ponto de apontarem na rua.
Continuo sendo um mistério, um livro secreto para um público seleto, para poucos escolhidos e iniciados e aliciados: me preservo.
Mas quando tô de lua sai de baixo que até uivar eu uivo. Sinto vivo o vigor da minha devassidão pela imensidão do Cosmos que eu como todos os dias com café com pão nas minhas horas mais ternas de solidão.
Sinto ter invadido sua vida - você Outro fugidio- pois minha mão acarinha mas tem também a força afoita e bruta que ceifa a vida na sede da ceia.
Meus seios eu descanso no meu colo enquanto durmo, nino-os como quem nina um desconhecido, um Outro. Como se ninasse um ser que a mim não pertence mas por uma breve pele, uma mera membrana me liga e me emana amor e dor.
Nada disso seria possível, óbvio, se eu não fosse doidivanas, se eu não saisse gritando minha dor e meu grito de gozo e alívio pros Outros. Porque ai! eu vivo!
Balanço nessa corda bamba de circo que é puro risco do desequilíbrio. Mas não ligo com meu equilíbrio desequilibrado e tampouco com meu desequilíbrio meticulosamente calculado por sinapses misteriosamente inefáveis.
Mas ah! eu não ligo justamente porque:
Ai! eu simplesmente vivo!



Menàge à deux...

calma que preciso estar ins-pirada pra fazer ho-menagem pra você.
preciso estar precisamente precisa pra compor uma coisa preciosa. sou uma puta que demora a parir!

até a última ponta!

já que não estás
e aqui tu me deixastes sola solita
me resta me consolar
e fumar as pontas
do cemitério de cinzas que
sossobraram
e me assombram os fantasmas
espectros auras almas
miragens. existo? existes?
com elas queimo as pontas dos dedos
e um pouco dos lábios
que depois ardem
me resta então lembrar
e depois sonhar com
aquele moço bonito
que chegou no samba
e me sugou a boca
até ficar roxa
dolorida de vida
olvidas me nessa madrugada insone?
deixe estar que
enquanto ardo

te aguardo e me guardo

parada

cálida
extática

caliente
e calada.


Mulheres que dançam levam qualquer home pra cama!

mulheres flamencas,
há quantas andam?
suas ancas
curvas arqueadas
sobrancelhas cerradas
corpo dramático
quero rir
e ir-me com tuas costas
quero chorar
me dói vê-las e não sê-las
mulheres flamencas
quando dançam
com seus tamancos
e posam de damas
não precisam estar desnudas
para levar qualquer homem
(ou mulher)
pra cama
posam nuas
pra poucos fodidos privilegidos
hombres qui mi quierem?
hubiera yo de ser alguna de ellas?
ya no sé si soy
o soño
hubiera hecho sexo
ante su reflejo?
sexo con todo su pueblo y fuego?
o tampoco con sus pocos?
ojos negros
mulheres flamencas
de vermelho são o diabo em pessoa
putanas!
falancas!
ancas!
tantas!
tantras!
carnes lânguidas
dançam tanto
que fico tonta
cuando hablo con ella
tengo tonterias
do corpo pouco que me resta
teso
fico
fácil
maleável
cicatriz no meio da testa
flor na orelha
paella
para ella
acende a centelha
das fagulhas do meu seio
bem no cenho
concentração
tesão
tensão
força
dramaticidade
elasticidade
emoção à flor da pele
nervos
nervuras
saliva leve
me leve
pele
ardo
pelos poros
absorvo
e adoro!
ata-me!
trago-te!
fumo-te!
amo-te!
até me atar
até me matar
até me amar!
amor
dor
calor
suor


26 de Novembro de 2005

30 coisas que uma mulher deve fazer antes dos 30:

Uma amiga leu isso numa revista de mulheres balzacas...tipo Marie Claire... que recomenda uma lista de 30 coisas que nós mulheres precisamos fazer antes dos 30 anos:
  1. Transar com um cara de menos de 20 anos. (fácil!)
  2. Dizer que vai a uma reunião e transar com o novo namorado. (sim)
  3. Aprender a mandar em diaristas. (revista de dondoca fútil essa, hein! alforria, sinhazinha!)
  4. Beijar um passante. (pra quê que existe carnaval então?)
  5. Namorar um garoto problemático. (aff..quase todos..)
  6. Fazer algo criativo. (err...especifique)
  7. Pedir demissão por se sentir perseguida pelo chefe. (meu chefe é gente boa! pra quê?!)
  8. Pintar o cabelo de rosa, depois de preto, depois de rosa... (pra quê se já raspei que é a radicalização extrema pra uma mulher!)
  9. Passear sem calcinha. (ixi!)
  10. Beijar uma mulher pra ver como é. (ainda não, quem sabe?!rsrs)
  11. Transar com um dos seus melhores amigos. (amigos amigos, sexos à parte!senão daremos fama pra aquela frase machista que diz que homem não tem amizade com mulher)
  12. Agarrar seu amor platônico. (ai!!é tudo q eu quero ultimamente!!!)
  13. Ter um encontro às escuras com alguém da internet. (sempre deixo a luz apagada enquanto teclo)
  14. Brincar de "todo mundo beija todo mundo". (já super abraço, abraço coletivo. tá valendo?
  15. Transar com alguém e esquecer o nome dele. (não, sou mto sensível para isso)
  16. Comprar cinco sapatos em um dia. (não..pensa que ganho quanto?! revista de madame mesmo!)
  17. Subir em um palco e dançar loucamente. (bafão quem não deu?!abafa o caso!)
  18. Usar um look despojado. (os alunos me chamam de estilosa, hippie..'rsrsrsr)
  19. Fazer uma tatuagem. (ainda até este ano!certeza!)
  20. Ir a um psquiatra por causa de uma dor de amor. (e continuo indo..)
  21. Usar maria-chiquinha. (pra fazer esportes, óbvio!ah! esqueci as madames fazem chapinha té pra correr no Zerão)
  22. Ter o melhor sexo da sua vida com um otário. (pior q foi...)
  23. Ir a uma vidente por causa de dor de amor. (tô quase indo, viu!)
  24. Ter uma noite bem louca. (err..especifique!)
  25. Se jogar de roupa numa pscina. (claro!! q coisa besta pra uma lista!)
  26. Adotar um bicho abandonado. (todos meus cães e gatos vieram de uma lata virada na rua)
  27. Ir de ônibus para o nordeste. (as madames nunca irão...mas eu vou, claro, por falta de grana...e pra deixar mais chique: por uma opção antropológica de vida!)
  28. Usar o seu melhor modelito para ir ao supermercado. (tô fora, só chinelo havaiana)
  29. Aprender a dizer não. (depende ...não pra quê?!rsrs)
  30. Ficar com três pessoas na mesma noite. (definitivamete acho q essas madames precisam dum carnaval!!)

25 de Novembro de 2005

as vacas sempre comem



"vaca profana põe teus cornos pra fora e acima da manada"(caetano)

a vaca é um bicho bobo.

se Ivo viu a uva e vovô viu a vulva,

logo, que tem cara de vaca é babaca.

E como ela é vaca!!

um bicho bobo porque tá sempre comendo,

e quando não tá, tá ruminando o que já comeu.

No caso, ela tem cara de quem tá sempre comendo bichos moços e sendo comida por.

já reparou como as caras das vacas são sempre de boas?

não é à toa que um dia viraram sagradas,

mas eu não sou vaca sagrada, sou vaca profana, eis porque ponho meus cornos pra fora e acima da manada.

No fundo, somos todas vacas, mas umas são mais generosas e honestas, eu, certamente sou uma delas. Mesmo porque se não o fosse nem escreveria isso afinal as vacas bestas nem se incomodam se há outros tipos de ser vaca. As vacas bobas são sempre leiloadas e escolhidas a preço de ouro, isso é o que mais dá raiva. As vacas babacas são todas caretas, logo você vai me agradecer por eu ter lhe avisado.

"derrama o leite bom na minha cara,

la mala leche bem na cara dos caretas". (ibid.)

de todas, aquela era a mais vaca de todas, era a mais ordinária, não se destacava do rebanho e justamente por ter sido escolhida pelo pastor eu a odiava, queria matá-la se pudesse -ainda mais com aquele sorriso de tchonga- ou espalhar o vírus da vaca loca (ah!esqueci, vacas bobas nunca ficam loucas, se fingem de lúcidas), sorriso fake, pronto, como a sua vida inteira que foi montada para vencer. Vencer o quê? chegar em que pódio o quê? Primeiro lugar de avacalhação?! Qual é! Taça de leite isso sim! Leche mala, por sinal. Se eu fosse vaca mesmo eu não seria tão revoltosa com as injustiças femininas, afinal as vacas são sempre seres bondosos, plácidos, com a mesma sempre cara não importa o que aconteça, né!As vacas tolas não se incomodam nem com a própria tolice. O problema é que os bois bandidos gostam é dessas, porque como todo bom garanhão pensam em constituir família ao modelo burguês. Bois bandidos não leram Nelson Rodrigues e não sabem o que os esperam por trás de uma bonitinha..."bonitinha...mas ordinárias"!. é batata! aquela vaca aguada rumina tudo aquilo que já tá mastigadinho pela mídia, gosta do livro best seller podre tal, faz os esportes considerados style e tal, usa tênis só pra dizer que às vezes sabe usá-los também e que tem patas, como todos,.. Vacas tolas, atolem-se todas! Sim isso é misogenia pra que eu acredite na espécie humana e não me torne uma misantropa. O problema das vacas bobas é que são elas que são eleitas por eles como as boas, sagradas. E elas nem ligam por serem fúteis, nós, vacas profanas é que acabamos forçosamente ruminando tudo o que essas vacas cagam. Isso é o pior. E as vacas tolas, pra nosso ódio, sempre sempre sempre estão comendo e sendo comidas.


Qdo eu partir o coração duma gota d'água!(por antonio campos)


Eu me horizonto (por Antonio Campos)


Etimologia: Anti-ônus (por Antonio Jubilito)


jesus cristo e os mosquitos (por antonio jublito)


O time dos tímidos (por Antonio Jubilito Campos)


o time dos tímidos

ensaio de um hipertexto a dois.
eu boto os títulos q o autor mesmo escreveu ou os que eu propuser pq quero saber o q ele teria a dizer sobre,
daí o poeta entra e comenta seu próprio texto.
experiência inédita,nem os pós-modernos sacaram essa,
será q os pós modernos usam msn?
o poeta em questão não se prende a títulos nem rótulos,
ele só precisa de água,
brindemos com
água sua estréia pra desbloquear sua veia poética.
salve!

meu ex-futuro-passado-presente do indicativo- namorado

phoda é ter as senhas e não sabê-las de cor.
phoda é ter as senhas do ex-futuro amor
e ver as vacas no seu orkut, na sua agenda, nos seus e-mail, na sua cadeira, na sua foto em dupla.
phoda é pouco
sou P.H em coisas phodas,
pós doutoranda em coisas mal acabadas
e mal iniciadas,
honoris causa de fracassos amarosos
não sei peitar
sei ser despeitada com essas espivetadas da vida
phoda é depois de toda a desgraça, que nem os cães vem mais lamber as tuas chagas.,
a pessoas mais phoda da vida q é vc própria dizer de si pra si mesma:
é. é a vida, phoda-se!

amargura em meu peito

solidão é lava que cobre tudo
amargura em meu peito com seus dentes de chumbo
Desilusão, desilusão..
danço eu, dança você na dança da solidão.
(paulinho da viola na voz de marisa monte)
e Eu q escutava tanto isso aos 13 e nem sonhava saber do que se tratava.
ou sabia?
a gente esquece, mas criança sofre amores despedaçados sim, e como.
adultos idiotas como eu têm esses eternos retornos dos quais não consegue escapar
e patina no mesmo lugar, atolada (não, não tô ficando atoladinha!)
e patinando eu vou na...
"dança da solidão"...

desilusão

dê solução pros meus soluços?
dê amor pro meu amor ((em vão?))
não pode não.
é . mas eu vi. até beijo na testa, no nariz, pegou na mão e foi.
não olha não, não olha não,
mas eu vi. pior é ver que pressentir.
não devia ter ido mas fui, pior é ir.
e não ter como voltar de ti, de si.
pode ser mentira.
((mas é?))
eu choro contido,
disfarço no riso.
desfaço o brilho
dos meus olhos lassos
cansados cansados cansados
me viro te miro me piro pioro choro pelos poros
pago à vista
e não tem o troco?
ah!
então vai pra puta que te carregue!

23 de Novembro de 2005

Encontros e Desencontros

Do por que eu gosto deste filme Encontros e Desencontros (Lost in Translation) de Sofia Coppola:
  • Por que é um filme norte-americano que destoa dos seus compatriotas?
  • Por que esse segundo filme de Sofia Coppola (direção e roteiro) ganhou prêmio Globo de ouro de melhor comédia e roteiro e do Oscar ganhou de melhor roteiro original?
  • Por que é um filme de baixo orçamento ousado que foi filmado em Tóquio?
  • Por que tem Bill Murray e Scarlet Johansson?

Além desses dados técnicos, o filme me ganha e sempre penso nele, quase como um arquétipo da minha vida amorosa, minha pouco vida amorosa ultimamente. (não, eu não tenho nem nunca tive casos com homens bem mais velhos, - por opção ou bobagem- acho que tenho uma relação edipiana bem resolvida). Bill Murray (Bob Harris), o ator consagrado se encontra com Scarlet (Charlotte)- a esposa de um fotógrafo que só pensa em trabalho. Os dois, confusos com os fusos horários, não conseguem dormir à noite e vão para o bar do Hotel onde se conhecem e passam a ser amigos, e quase um pouco mais que.

"Encontros e Desencontros é um filme engraçado, doce, e também amargo, que utiliza o deslocamento cultural como metáfora para descrever pessoas que ficaram deslocadas em suas prórpias vidas.."(trecho de alguma crítica que li no site do terra).

Mas, mais que isso, em dias como hoje de mormaço e vento eu me sinto como Charlotte acordando numa Tóquio e sozinha. A impressão de que tudo é tão fácil de desatar, os encontros de antes parecem prestes a se desfazer e desmoronar, tudo é raro, e qualquer pisada em falso pode desmembrar as mãos que se entrelaçaram nem que seja por um fugaz momento. Eternizar esse momento de encontro é todo esforço empreendido nos outros momentos seguintes. Desencontrar, então, não é só deixar de encontrar, é o risco de mesmo encontrando ter desfeito todas as memórias do encontro passado e as potencialidades do futuro. Desencontrar como desfazer encontros. E os encontros como a possibilidade de deslocar-se de si, esse Outro que surge para desestabilizar tudo o que é previsível. Não é à toa, suponho, que tenha sido no Japão, nosso imaginário de um Oriente, o outro geograficamente mais longe. E no Japão, o encontro no vazio com o descohecido que se torna, estranhamente, o mais próximo possível. Eu que escolhi como projeto de vida compreender esse Outro, a alteridade, me estranho sempre com encontros. E sou um ser sempre capaz de se entrosar com estranhos, porém até que parte de mim chega a outrem é o que não sei. E talvez seja isso que me seduza mais ainda.

O contrato com a propaganda de wisk de Bob acabou e ele volta, vai de táxi pro aeroporto, as ruas de Tóquio com seus cinzas e neons passam rápido pelos olhos complacentes dele e dela, numa despedida de um encontro que devia ter sido muito mais que foi apesar de já ter sido muito. Ausência na presença. Presença potencialmente na ausência. Bob pede que parem o carro e pára Charlotte na rua, a beija, o primeiro e último beijo, com certeza. Um beijo de encontro e despedida simultaneamente. Triste e belo sem ser brega. Choro como se compatilhasse daquela dor imemorial na minha vida.

Confuso?! Pode ser porque eu não tenha me adaptado ao fuso....e esteja atrasada para os meus encontros marcados e desmarcados, eu um ser que não sabe ou não precisa ser precisamente precisa, que não entende as horas exatas e nem usa relógio. Que muitas vezes se sente atrasada ou deslocada, esperando por algo que já não mais está ou que não está marcado para a mim chegar, embora eu espere, ansiosamente, ou pacientemente, numa disciplina quase estóica ou numa nóia quase heróica.

Quem sabe Vinícius de Moraes saiba explicar melhor com seu também controverso verso:

"viver é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida".

22 de Novembro de 2005

Salve samba!



"Quem samba na beira do mar é sereia".

(Clara Nunes)

Esse é o segundo samba que vou na Usina Cultural. Um samba de verdade. de roda. rodando as saias. pé no chão. a maior parte dos meus amigos mais queridos. comunhão. alegria compartilhada. choro e culpa por um senhor que morreu. mas passou! os sorrisos mais lindos. a tonturinha boa. as velhas senhoras e senhores afro, entidades a serem respeitadas e reverenciadas pela força e simpatia.

E eu que me defino como agnóstica, tô pensando em levar isso como a minha religião favorita já que na etmologia religião...de religare

religar-me ao mundo, aos amigos lindos e queridos , aos ancestrais, às tradições populares, ao amor, à confraternização, à reciprocidade.......ao corpo!

Uma filha de Iansã diz que eu pareço ser filha de Oxum, gostei!

"Eu vi mamãe Oxum na cachoeira,

colhendo lírio, lírio lá, sentada na beira do rio"

(chico césar)

É patológico? - encontro c/ Dr. H (parte 1)


Dr. H: _ Oi! Há quanto tempo, hein!
Ego: _ Pois é. Eu quis avisar mas acho que ficou subentedido, né.
Dr. H: _ Ficou sim.
Ego: _ Pois é. Quase três meses. Pois é. Não sei bem por onde começar.
Dr. H: _ Comece me contando como foram esses meses de ausência.
Ego: Tá. Foi bom. Eu precisava ter feito o que fiz. Ir pra lá me sossegou um pouco a alma e o senso de urgência, sabe? Às vezes uma pessoa como eu precisa aprender a se acomodar e parar de procurar e ir pra lá me deu vontade de ficar no meu lugar, estática.
"Se não soubesse que durante esses meses ele persistira no seu intento de parar de fumar, acenderia um agora, por maldade?"
Dr H. : Prossiga.
Ego: Tô escrevendo também. Dando vazão ao que tenho e não tenho, até secar. É um esboço de começo de algum começo de alguma coisa: chama-se tempero forte.
Ele riu, consentiu, comprendeu o nome. Ego explicou:
Ego: Sou um exagero, não encontro o equílibrio pras coisas, sempre sobra algo em/de mim, não sei a boa medida pras coisas, estou mais pra "desmedida de todas as coisas", não tenho temperamento forte no sentido estereotipado, mas você sabe que não me contento com pouco, com uma vida insossa, cinza, gosto de viajar fora e dentro em busca de raridades, especiarias, especificidades, particularidades, não consigo zer zen e nem quero, gosto do exagero. E isso pra mim é forte.
Ele riu de novo, concordando e explicando:
Dr. H: Hipertímica. Carisma. Hiperativa.
Ego: Isso parece ser bom!
Dr. H: É sim.
Ego: Mas eu quero falar de dentro, não das coisas que vi, das paisagens daquele lugar lindo e novo.
Dr. H: Então me conte do que está sentindo e pensando. Por que voltou aqui?
Ego: Porque estou com medo. Tá tudo dando certo na minha vida e tô com medo. Parece um absurdo ficar assustada com coisas maravilhosas. Algo inédito aconteceu.
Dr. H: O que aconteceu?
Ego: A paixão.
Dr. H: Por que inédito?
Ego: Porque antes era mais um "acostumamanento". Faz muito tempo que não me encanto e transbordo por alguém, faz tanto tempo que nem me lembro. Isso me dá medo, isso foge ao meu domínio e eu não gosto de perder o controle.
Dr. H: O que você sente?
Ego: Taquicardia, frio na barriga, calafrio, curiosidade excessiva, pernas bambas, falta de sono, sonhos estranhos, felicidade gratuita a ponto de te perguntarem "o que aconteceu?!"E também claro, sofrimento, seguido de alegria, depressão, euforia, mania, água na boca, perda de apetite, devaneios, sem concentração para o trabalho, suores quando vejo, vontade de correr, perda de peso, desritmia, falta de ar, respiração ofegante e vontade de fumar, coisa que nem sou fumante. Isso é patológico?.
Dr. H: Digamos que paixão tem raiz na palavra pathos. Não tenho certeza mas vou pesquisar.
Ego: Tenho medo , Dr. H, me sinto vulnerável, tenho medo de quebrar a cara, de idealizar, de não ter, de sofrer.
Dr. H: "Sou humano e nada do que é humano, me é indiferente", - lembra-se?
Ego: Você pode me prescrever algo?
Dr. H: Apenas cautela e bom senso.
Ego: Mas isso é contrasenso com a própria paixão. Paixão não é exagero? Pois é. Eu prefiro correr os riscos e ninguém vai anestesiar isso.
Silêncio.
"Refreou o ímpeto de acender o cigarro, por compaixão ao velho".
Dr. H: Volte na próxima semana e continuamos.
Ego: Se eu sobreviver até lá....
Riram:
Dr. H: Não seja dramática.
Ego: Tá bom, eu volto.


19 de Novembro de 2005

Temporal:

"o bem vence o mal,
espanta o temporal,
azul, amarelo,
tudo é muito belo"
(He- Man e She- Ha)
Era isso que eu ouvia quando pequena:
"volta logo que vai cair um temporal!".
Minha mãe usava isso como desculpa para não irmos tão longe quando brincávamos na rua, aquela rua que parecia imensa e conforme os anos foram passando foi ficando cada vez mais estreita.
Um dia minhã irmã desobedeceu minha mãe como quem quer comprovar a veracidade duma profecia. Enfrentando a chuva, minha irmã foi brincar na casa da amiguinha. Depois vieram os vizinhos nos avisar do acidente:
"a porta era de ferro....não tivemos culpa....o vento estava muito forte...e sem que víssemos seu dedo foi prensado sem querer na maldita porta"....
Ela retornou pra casa como a filha pródiga, com o dedinho mindinho pendurado apenas por um fiapo de pele e tendão, enrolado num guardanapo de pano, chorando, como quem perde algo por desobecer uma norma e por isso paga uma sentença.
A casa era de madeira e havia um enorme abacateiro no terreno baldio ao lado. Nesse dia do temporal, os abacates verdes caíram, quebraram telhas, deu goteira, e eu era tão pequena...Mas me lembro desse dia em que o temporal fez a "casa cair". Não havia carro, tudo era demorado, mas depois seu dedo foi operado. E eu era tão pequena... mas me lembro do dia em que um temporal nos balançou a todos, dependurados ficamos por um fiasco de vida.
É preciso desobedecer para ficar madura e colher os riscos. Os abacates verdes caíam em estrondos como raios e minha mãe advertiu:
"olha o temporal"!
Minha irmã desavisada fugiu e despencou seu dedo tal qual um castigo que se mastiga com fel. Ainda hoje carrega em si uma cicatriz e uma pequena deformidade que a faz mais humana, porque pecou, desdivizou-se, e assim humanizou-se. Dizem os antropólogos que todo rito de passagem é sofrido. Ela carrega no próprio corpo, inscrito como lei na pele, a memória desse dia em que o temporal passou. Trauma? Medo? Culpa? Ela ainda não liga quando lhe dizem:
"cuidado, olha o temporal!"
Minha irmã ainda continua fugindo e continua voltando como se essa elasticidade fosse alguma coisa prodigiosa, mas não, é só um modo de não romper o hímen dos laços consangüíneos e fundar novas redes de relacionamentos maduros. Entrelaçada, dura, tenta a esquiva mas fica. Continua atada como que por remendo à sua mal sucedida tentativa de fuga.
E eu era tão pequena....mas quando daqui partir, saindo pra quebrar o oco da fruta dura pra descobrir que semente pode haver dentro, e pro coco não ficar louco, não voltarei pra me darem pontos. Quero voltar, sim, mas como visita só pra contar as notícias das dores e delícias dos partos sofridos, de outros ritos e de como cresci. Quero ter uma penca de filhos, em todos os sentidos. Eu não caibo mais naquela rua que parecia tão imensa, e olhando hoje de longe, me parece tão estreita e pequena. Eu já não tenho medo de chuva e admiro Iansã, a senhora dos raios que traz tempo bom e tempo ruim mas é tão forte que esparrama sua fertilidade. Eu já não tenho tanto medo assim dos meus dias cinzentos que de repente vira sol e do sol logo abre de novo chuva e depois abre tempo bom e assim indefinidademente ao sabor dos ventos. Como eu dizia aos 16, nem sei bem por quê: "é preciso fugir pra poder encontrar". Talvez por isso eu goste tanto de antropologia, que é um modo científico de fugir, sair de si, mas sem escapismo, pra depois retornar do campo modificada, impossível voltar sendo a mesma de outrora. Assim como em "Da tortura nas sociedades primitivas" como explicava Pierre Clastres sobre os ritos de passagem, talvez eu esteja precisando de um raio que me parta tal qual abacate que se rompe em dois quando cai no chão e solta a semente que rola, encontra solo fértil, água boa e dá à luz uma planta que estava dentro dela. Quem sabe eu precise mesmo de chuva abundante e ventos cortantes e em vez de me abrigar numa "casca, numa cápsula protetora", feito caranguejo na carcaça, que eu parta e abençoada pela chuva, sair e dançar com Iansã a dança infinita de Shiva.

18 de Novembro de 2005

Soluções para.

Tomar banho frio.
Olhar o temporal cair do cais
e ficar ilhada aqui.
Derreter-se.
Solvida... solucionada...soluços...soluções aquáticas...
infusões...
chá de abu
"pódexá"que eu tomo.
Tomo soluções aos soluços respingando.
Sofro. Tremo. Berro. Engulo. Engano.
Prescrevo: banho frio pra acalentar a alma
e esfriar calor do corpo. Massagear a pele:
hidratar
como quem acarinha
quem não está.

17 de Novembro de 2005

Ausências...leseira...desconcentração...abstrações...

Quero vadiar...devanear...divagar...bem devagar degustar essa tarde morna.
mas não posso: o trabalho, a labuta diária me chama e eu não posso me desviar.
me jogar numa "piscina de azul de amaralina"
vontade de falar com quem aqui não tá.
queria brindar e brincar com
com iza, mari, antônio, dri,
falar com cada um deles:
"ei, vamos vadiar hoje?!"
mas não posso, não podemos:o trabalho, a labuta diária nos chama e não podemos nos desviar
do caminho retilíneo que está posto e imposto.Descomposturas, não podem não.
falta de.
vontade de.

A brincadeira da bricolagem.

Bricolagem é brincadeira, artesania. Tá vendo, meu amigo aqüífero mineiro Antônio Jubilito, eu tô me esforçando pra aprender a recortar o objeto.rsrs! O bom da bricolagem é que a gente junta, remenda, retalha, os elementos podem ser os mesmos mas a variabilidade de dispô-los de formas outras é infinita. (como diria o velho e bom Lévi-Strauss..mais ou menos assim).
Aqui em Londrina surgiu recentemente uma banda cover de Los Hermanos, quando ouvi dizer me preocupei "po...quem serão esses tipinhos que vão querer dar uma de Los Hermanos"? Fico assim também quando tentam cantar Elis, Chico Buarque, Janis Joplin, divas do jazz nos bares que vou, sou ciumenta com esses meus amores. Mas a míope impressão foi completamente desfeita já no primeiro show que vi deles lá no Amnésia semana passada. O cover pode sugerir ser uma cópia falsa, vulgar, e muitas vezes é. Mas dessa vez o que surpreende e que me agrada é que tem alma e criação, há bricolagem, cada uma na banda juntando aquilo que pode ofertar e resultando num retalho vistoso de olhar e escutar. Não é aquele troço da indústria cultural que vem tudo pronto tipo nissin miojo, que faz tudo mecanicamente e que, em geral, as bandas cover reproduzem. Não conheço os caras, sei o Tarik, e o João, e que parece que tem um que estudei junto ou com seu irmão. Certeza essa banda vai marcar e vai ficar, aguardo ansiosa pelas canções próprias que prometeram compor. Por isso eu quis brincar de compor junto com Los Hermanos aqui, desprentensiosamente. Bricolagem é brincadeira.
"deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz".

Música 5: A paixão


"Eu não nego, eu me entrego, você é meu grande amor,

e hoje eu vou te dizer "eu te amo"... eu imploro, eu te adoro...você tem meu coração a

bater pra você mais uma canção".

"Hoje eu quis brincar de ter ciúme de você

Talvez por aqui estar tão longe de você pra te dizer...

esperando pra dizer coisas de amor?

Pois é. Eu só penso em você".

"Me laça a alma. Me leva agora".

"Ligue pra mim! Diga que me ama que eu não vou mais implorar".

"Sofro por saber que não sou eu quem vai te convencer que

cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer".

"Pois é. Eu só penso em você".

"Canta o teu canto que é pra me encantar".

"Canta pra mim qualquer coisa assim sobre você.

Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais".

"Pois é. Eu só penso em você".

"Me laça a alma. Me leva agora".

Música 4: Carência.



"Moça, diz pra mim como vai você.

É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê.

Sei, a tua solidão me dói e que é difícil ser feliz".

"Deixou saudades e nunca mais voltou pra mim"

"Eu hoje estou tão sozinho, não sei mais o que fazer. A minha vida acabou. Você se foi e agora não sei mais".

"Estou levando tudo de mim que é pra não ter razào pra chorar".

"Vem dizer adeus ao que restou".

Música 3: A traição que precede o fim de caso.



"Saiba: traições são bem mais sutis!"

"Ouvi dizer que o teu olhar ao ver a flor"

"Eu fiz de tudo pra ganhar você pra mim, mas mesmo assim minha flor

serviu pra que você achasse alguém".

"IaIá, se eu peco é na vontade de ter um amor de verdade".

"Assim que quer, assim será, eu vou pra não voltar".

"Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz".

"Motivo eu nunca dei"

"Então fica bem..."

"Veja bem meu bem: sinto te informar que arranjei alguém pra me confortar".

"Este alguém está quando você sai"

"Adeus você. Eu hoje vou pro lado de lá"

"Tive de arranjar alguém pra passar os dias ruins".

Música 2: A Desilusão Após o Cansaço.


"Fiz aquele anúncio e ninguém viu

pus em quase todo lugar".

"Não faz isso amigo

Já se sabe que você"

"está se exibindo pra solidão"

"Já que um bom samba nào tem lugar

Nem se atreva a me dizer do que é feito o samba".

"Já me cansei a ser a última a saber de ti".

"Todo carnaval tem seu fim. É o fim".

Música 1: O Amor


"Parece que o amor chegou"

"A foto mais bonita que eu fiz

Você olhando pra mim"

"Dizem que é maior que o amor

Me abraça forte agora"

"Não solta da minha mão. Não solta da minha mão".

"Enquanto eu fujo você inventou qualquer desculpa

pra gente ficar

e assim a gente não sai que esse sofá tá bom demais".

"Veja você onde que o barco foi desaguar

A gente só queria o amor"

"Eu rezo, ai Deus do céu

Não solta da minha mão. Não solta da minha mão".

"Parece que o amor chegou".

"Sai correndo e volta outra vez".

"E assim a gente não sai

que esse sofá tá bom demais".

"Eu rezo, ai Deus do céu

Não solta da minha mào. Não solta da minha mão".


Recortes de Los Hermanos


Atenção!
Músicas inéditas criadas pelo processo da bricolagem!!
Me perdoem os amantes de Los Hermanos mas isso aqui foi só uma liberdade poética quase aleatória feita a partir dos versos deles porém recombinando de uma outra maneira que pode até inverter/ reverter o significado original. Me perdoem as minhas heresias aqui mas Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba? Quem se atreve a musicar essas canções emendadas?

16 de Novembro de 2005

O Poeta Alado


desenho de William Blake

O poeta saltou de algum andar de algum prédio do centro velho daquela cidade.

Demorei para te escrever, poeta, não via antes muito sentido em fazê-lo seguida à sua morte ante aos apelos da multidão atônita. Muitos, intencionalmente ou não, se auto promoveram com a tua desgraça. Ora fazendo odes, homenagens, edições especiais, temas de rodas de conversa e mesa redonda ou lembrando alto as bizarrices que já fizestes e as coisas belas que dissestes. Mas tudo isso convergia para só um motivo: transformá-lo num mito. A questão é: de que tipo? Me indigno com o modo como pintam você agora como se fosse doce sofrer um martírio. Para mim, mitificar algo ou alguém e esboçá-lo como para além de tempos imemoriais, identificando-o com alguma lenda vida ou algum eterno retorno que se tranfigura na figura de algo ou alguém...pra mim tudo isso é o primeiro passo para matar algo ou alguém, é petrificá-lo. E quero que vivas, mas não engessando-o como uma lenda....morta. É fácil distanciar algo ou alguém pelo signo do mito, quero ver se alguém bem proximamente se têm coragem de se materem um pouco com a tua morte e viver um pouco da tua vida. E eu fiz estranhamente os dois caminhos, por isso que hoje eu te desmistifico. Conto aqui uma pequena história pros outros verem como você era tão normal, e que ser louco pode ser até redentor, mas apenas para aqueles que longemente o vêem, pra quem tá perto não é não.

Conheci-te em 1999 quando eu matava aula do colégio pra ir fazer oficina de Hai Kai com a poeta Alice Ruiz, a viúva do Leminski, que me ensinou um pouco do zen e da dor da mãe que perde um filho. Eu, sei, você é quem perdeu a mãe quando nasceu, triste demais, nem consigo imaginar essa dor que carregastes a vida curta afora. Nas oficinas você se apresentava sob o codinome de Duas Penas, nem me lembro bem exatamente por quê mas bem sugestivo hoje né meu poeta alado? Acho que lá te acharam um arrogante, presunçoso e pernóstico ( e às vezes você era era mesmo incoveniente, nos últimos tempos então, isso tava demais, invadia as salas da UEL, nas palestras, nas aulas, se metia a discutir qualquer assunto em qualquer língua: inglês, francês, japonês, alemão e ora veja só até tupi-guarani. Todo mundo lá te achou um chato, essa é a verdade, menos eu, que nem sei bem exatamente por quê mas de cara já gostei de você.

Então entrei na UEL: 1 o. ano mas eu não era nenhuma caloura boba e burra(até certo ponto!) porque desde três anos antes eu já convivia com meus futuros veteranos. Aconteciam então os luaus(luais?). E você organizou um dos primeiros com sarau e tudo e propôs um observatório a olho nu das constelações. Fez até um mapa (muito tosco) das clássicas Balança, Escorpião, Orion... que eu com o meu pouco senso de localização não soube achar. Aí dancei, bebi vinho, ouvi declamações. Eu tava com aquela calça amarela gema e tênis all star branco de cano alto que àquela época eu costumava usar pra me diferenciar do rebanho. Era 5 de abril de 2000. Eu lembro porque nesse dia era o niver da Dri que acabou sendo e é uma das grandes amigas. De repente eu e você estávamos dançando, fomos dançando "que é pro corpo ficar odara" e começamos não sei como um jogo teatral de jogo de espelhos. E fomos nos aprochegando e de repente não mais que de repente eu era você e você era eu e o duplo do espelho tornou-se uno no beijo. E foi lindo, uma das vezes mais poéticas que fico com alguém. Você também tinha a mania como eu de abrir os livros ao acaso tal qual fazem os devotos com a Bíblia, e assim os poemas se nos surgiam como prenúncios, messagens, oráculos ou coisa que o valha. Você pediu pra eu fazer isso como quem abre as cartas do Tarô e na nossa despedida caiu aquele do Pessoa que eu desesperadamente escutava no walkman pela voz de Bethania em Rosa dos Ventos. Você o declamou pra mim com as entonações que só você fazia e sabia dar a densidade pra certas palavras. Esta foi nossa despedida de um amor que poderia ter sido mas não foi. Insiro aqui o poema e te ofereço em gratidão, lembra como você costumava nos chamar pra ir oferendar flores pros transeuntes?Então eu te oferendo este que é pra celebrar a vida onde quer que você esteja:


Alberto Caeiro

VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera


Num meio-dia de fim de primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir

De segunda pessoa da Trindade.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.

No céu tinha que estar sempre sério

E de vez em quando de se tornar outra vez homem

E subir para a cruz, e estar sempre a morrer

Com uma coroa toda à roda de espinhos

E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.

Nem sequer o deixavam ter pai e mãe

Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas

Um velho chamado José, que era carpinteiro,

E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,

A única pomba feia do mundo

Porque não era do mundo nem era pomba.

E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala

Em que ele tinha vindo do céu.

E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E nunca tivera pai para amar com respeito,

Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.


Hoje vive na minha aldeia comigo.

É uma criança bonita de riso e natural.

Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,

Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.

Atira pedras aos burros,

Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,

Corre atrás das raparigas pelas estradas

Que vão em ranchos pela estradas

com as bilhas às cabeças

E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as cousas

. Aponta-me todas as cousas que há nas flores.

Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando a gente as tem na mão

E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.

Diz que ele é um velho estúpido e doente,

Sempre a escarrar no chão

E a dizer indecências.

A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.

E o Espírito Santo coça-se com o bico

E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.

Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada

Das coisas que criou — "Se é que ele as criou, do que duvido" —

"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,

Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.

Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres."

E depois, cansados de dizer mal de Deus,

O Menino Jesus adormece nos meus braços

e eu levo-o ao colo para casa. .

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.

Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina

É esta minha quotidiana vida de poeta,

E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,

E que o meu mínimo olhar

Me enche de sensação,

E o mais pequeno som, seja do que for,

Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo

Dá-me uma mão a mim

E a outra a tudo que existe

E assim vamos os três pelo caminho que houver,

Saltando e cantando e rindo

E gozando o nosso segredo comum

Que é o de saber por toda a parte

Que não há mistério no mundo

E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.

A direção do meu olhar é o seu dedo apontando.

O meu ouvido atento alegremente a todos os sons

São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro

Na companhia de tudo

Que nunca pensamos um no outro,

Mas vivemos juntos e dois

Com um acordo íntimo

Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas

No degrau da porta de casa,

Graves como convém a um deus e a um poeta,

E como se cada pedra

Fosse todo um universo

E fosse por isso um grande perigo para ela

Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens

E ele sorri, porque tudo é incrível.

Ri dos reis e dos que não são reis,

E tem pena de ouvir falar das guerras,

E dos comércios, e dos navios

Que ficam fumo no ar dos altos-mares.

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade

Que uma flor tem ao florescer

E que anda com a luz do sol

A variar os montes e os vales,

E a fazer doer nos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.

Levo-o ao colo para dentro de casa

E deito-o, despindo-o lentamente

E como seguindo um ritual muito limpo

E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma

E às vezes acorda de noite

E brinca com os meus sonhos.

Vira uns de pernas para o ar,

Põe uns em cima dos outros

E bate as palmas sozinho

Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,

Seja eu a criança, o mais pequeno.

Pega-me tu ao colo

E leva-me para dentro da tua casa.

Despe o meu ser cansado e humano

E deita-me na tua cama.

E conta-me histórias, caso eu acorde,

Para eu tornar a adormecer.

E dá-me sonhos teus para eu brincar

Até que nasça qualquer dia

Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.

Por que razão que se perceba

Não há de ser ela mais verdadeira

Que tudo quanto os filósofos pensam

E tudo quanto as religiões ensinam?


gostosa ou desgostosa?

Guris, eu descobri uma coisa pra vocês. Há uma grande diferença entre a mulher gostosa e a desgostosa. Sei, vocês vivem correndo atrás da primeira. Mas ontem eu descobri qualé essa diferença.
Convivo há tantos anos com aquela mulher que nem me lembro mais quando ela se tornou assim tão amarga (amargo é gosto!), via sempre o lado negro das coisas, insatisfeita como quem tá sempre com fome, cara de quem comeu e não gostou, não a alegra nem as coisas cotidianas como um café na família nem as coisas grandes como fechar mais um ciclo de vida.
Foi aí que notei o erro dos homens.
Os homens procuram as mulheres gostosas sem se preocupar se são ou não desgostosas. Aquela mulher outrora fora muito gostosa, fechava comércio quando passava e dizem que tinha muitos pretendentes porém, dizem, entre todos os pretendentes escolheu o pior deles. Diz ela que foi aí que começou o seu desgosto, mas uma pessoa desgostosa `não sabe discernir os sabores, tudo é sem sal, entào nào podemos afrmar que a causa de tudo seja este homem. O fato é que hoje é desgostosa, tudo que vê, vê com desgosto e não sei como nem quando começou a ter desgosto pela vida.
Uma mulher gostosa pode sim se transformar numa mulher desgostosa, facilmente. Agora uma mulher des-desgostosa acaba se tornando gostosa um dia, por uma questão de lógica sintática. Mulheres que tenham gosto pela vida, pelo sabor das coisas, independente se sejam amargos, cítricos, ácidos, doces ou salgados, não importa, o que importa é que experimentam a vida e com o tempo elas amadurecem e se tornam coisa rara num mar de gente insossa. E mesmo que não sejam "as gostosonas"de tanto experimentar os sabores da vida, acabam adquirindo gostos e gostosuras próprias.

lagarteando ao sol

Depois da noite insone, no alvorecer quase despenco mas encaminho-me para o sol e água e largo-me lagarteando pra fritar um pouco. Acho que preciso mesmo ter sempre um volume d'água para ficar perto: água é meu elemental que me chama pra perto. Acho também que Borelli deve ter razão quanto ao fato de eu ser filha de Iemanjá, oh Janaína sereia do mar, não deixe o barquinho virar..". (domínio público). Mas isso eu preciso confirmar indo lá no terreiro que faz tempo eu quero ir. Eu gosto de nadar, gosto muito, viro peixa mesmo. E nado belo, até eu me surpreendo com a leveza do meu corpo dentro d'água, parece até que derreto ou me sorvo misturando minha matéria etérea ao que totalmente sou: água, pisciana, exageradamente pisciana! Psi Psi Psi Psiu! Eu vou falar pro Dr. H que eu não vou cair na crítica ranzinza e fácil de dizer que clube é lugar de alienação. Não. Na sauna a mulherada mais velha fala fala, fala, e como diz o senso comum "é tipo uma terapia, sabe, seu moço?" Não, não, tive um insight hoje de que sauna também é um campo do psi. Afinal o princípio básico da psicanálise não é falar? E pela fala ir desfazendo os nós de angústia? Só hoje na jacuzzi eu escutei tanta história de vida de uma só pessoa que me fez pensar na eficácia simbólica da fala. E que dizer "é tipo uma terapia", não é bem uma falácia. Pode sim fazer efeito. A antropologia chega nisso bem mais maleável como água do que a convicção dura da psicanálise, que se tornou muito purista, essencialista, individualizante, enquanto a antropologia nos bota num contexto relacional que pode ser desde a sauna, o bar, a rua, o carnaval, o msn. Esses causos que escuto ao léu eu não delato, mas penso em relatos, anônimos que me inspiram a escrever sobre esses fragmentos de vida que vão se desmembrando pelo vapor e pela espuma.

Alvorecer de uma insone

Não há foto de google que reproduza o que vejo agora da minha janela.
Passei mais uma vez a noite insone, mas dessa vez não foi tão clichê como ultimamente costumava ser.
Observei a lua cheia, reparem como sempre tem uma estrelinha que faz ângulo com ela. Dependendo da fase da lua e conforme dentro da mesma fase as órbitas vão evoluindo, a estrela também entra no jogo da dança. Acho que quase ninguém nota, e quem me apontou isso faz tempo foi Ariadne, nunca esqueço. A Ariadne do novelo.
Uns segundos antes do alvorecer ouço um pássaro estranho, gorjeando sozinho na penumbra, ele se pudesse sentaria aqui comigo, só tinha eu e ele ali parados sozinhos vendo juntos o espetáculo do nascer, nascer, nascer. O sol ainda não vi mas tá claro e a lua derrete-se amarela no horizonte do firmameto como aspirina no fundo do copo. Sol e lua fazem sexo e eu voyerizo, observo. Não estou com sono, muitas endorfinas correm soltas pelo meu corpo. Sinto-me pessoa.
"Ser feliz é bem possível,
a lua cheia me reduz a pedacinhos,
eu viro fera, eu viro loba,
eu viro, viro, viro menina". (Ná Ozetti)
Agora o pásaro não canta mais sozinho, os mais ordinários já o acompanham. Daqui a pouco eu também farei compainha para os que levantam, porém sonâmbulos.
Passei uma noite inebriada, produzindo. Tenho medo de que isso vire mania. Mas vira não. Se virar, vira menina.

Anedotas urbanas: contra-filé sangrento, duas segundas-feiras e baratas voadoras


Gelobel: Eu, Rhenazito e minha mãe.

Minha mãe: _ Mas essa carne tá crua.

Rhenan: _Tá boa.

Eu:_ É assim mesmo.

Chama o garçon e ele assa mais. Comemos até fartamo-nos e enfartarmo-nos com as gorduras mono- poli insaturadas. Saturamo-nos.

Na rua: o velho senhor que mata a vida como flanelinha:

_ Tava gostoso? Humm é tão boa a costela daí, né? De sábado eu venho com a minha patroa e com a minha empregada. Boa segunda-feira pra vocês! Sim, porque hoje é terça (feriado da república) mas ontem foi segunda, mas hoje parece domingo. E amanhã, quarta, será a nossa segunda segunda -feira! HAHAHAHHA.

E eu penso na concepção do tempo. Realmente se ele diz, não pode ser mesmo tão linear assim nosso tempo cartesino ocidental branco cristão. Realmente, não. Virtualmente, sim.

Sob a jabuticabeira:

Minha mãe: _Será que os passarinhos vão cagar na gente?

Rhenan: _Eles estão dormindo.

Eu: _Nossa que isso?! Uma folha marrom que caiu?

Era uma barata gigantesca que caiu na cabeça dela. Praga maior só barata frita.

Minha mãe: _Mata ela, Rhenan! Ai, Ai, mata, mata!

Rhenan corre pra pisotear com sua chuteira de ouro.

Rhenan: _Matei?

Minha mãe: _Matou. Porque estralou.

Remeto-me imediatamente àquela personagem de Clarice Lispector que teve uma epifania em seu apartamento depois de ver uma barata na despensa. Penso também em Gregório Samsa e a Metamorfose de Kafka. Penso também no perspectismo de Viveiros de Castro e no "engeramento"de Valentin Waksywsqui (?!). Será que minha mãe vai virar barata? E "será que eu vou virar bolor? " (Mutantes). Minha mãe às vezes se parece com Clarice, tem às vezes o mesmo ar sombrio, tenho medo, acho que ela - Clarice- assim como minha mãe também é sagitariana, se não me engano. Um dia o Floquinho, meu gato branco que já morreu ou fugiu, veio ronronando pra mim feito fera - onça, jaguatirica, fiquei com medo de me tornar ele. Clarice Lispector eu li tanto que quase enfartei, confundo todas suas personas, e às vezes sou um pouco delas todas, tenho medo de me tornar muito Clarice. Clarice Lispector (flor de lis fincada no peito que resultou nesse Perto do Coração Selvagem. Foi ela que se auto etmologizou assim em A Descoberta do Mundo). Tenho medo desse meu lado selvagem, principalmente quando ele emerge nesses dias aparentemente calmos que se rebelam à propósito de bichos peçonhentos, asquerosos, carnes sangrentas e suores abundantes, ou bichos domésticos que viram in natura quando é lua cheia ou quando já não reconhecem nosso cheiro. Tenho medo. E ter medo hoje em dia é tão bárbaro, não?


15 de Novembro de 2005

E as novidades?



É. Bem nesses dias estranhos quando tô de lua e meu humor oscila ao sabor dos temperamentos é que ela, a sempre atualíssima senhora vem me questionar:
_ E aí, e as novidades?
Não é bem questionar, é uma pergunta boba como quem diz: "Nossa, hoje tá calor, né?" Mas a mim, nesses dias estranhos quando tô de lua e meu humor oscila ao sabor dos temperamentos, me soa como o mais pernóstico inquérito. E me vem como um coquetel molotov que sou obrigada a engolir. O simples "E aí, e as novidades?"me cai como uma tonelada, entra pelo tímpano, percore o esôfago, desce pelo estômago, dá a volta nas trompas e cai direto no oco do meu coração.
_ Não, senhora, sem novidades. E você?
_ Ah! Várias: vou comprar carro, tô de caso com um professor universitário, nas férias vou pra praia (aquela paradisíaca) e também vou me mudar, enfim, do inferno dessa cidadela de dois mil habitantes.
_ Ah! Legal.
É. Bem nesses dias em que rola o feno nesse cenário de filme de bang bang e os velhos fazem sesta uma simples pergunta me comove, me move, me desestabiliza.
É. Bem nesses dias estranhos quando tô de lua e meu humor oscila ao sabor dos temperamentos, e me torno repetitiva, e tudo patina, e tudo parece velho, flashback e dèja vu e alguém menos sensível às minhas dúvidas, angústias e desistências... me lança de chofre a pergunta lancinante:
_ E aí, as novidades?
É bem aí que eu devo gritar um grito doloroso e me convocar: o tempo urge!


Meu coração é uma máquina de escrever


"Meu coração é uma máquina de escrever
As paixões passam
As canções ficam
Os poemas respiram nas prisões
Pra ler um verso ou ouvir
Escutar meu coração falar
Até se calar a pulsação
Meu coração é uma máquina de escrever
No papel da solidão
Meu coração é
da era de Gutenberg
Meu coração se ergue
Meu coração é
uma impressão
Meu coração já era
quando ainda não era a palavra emoção
Mas há palavras
em meu coração
letras e sons
brinquedos de diversões
Os poemas
os batimentos das teclas de escrever
Meu coração é uma máquina de escrever ilusões
Meu coração é uma máquina de escrever
É só voce bater pra entrar na minha história".
(Pedro Luís e A Parede)


14 de Novembro de 2005

Das coisas que são demasiado para uma terceira pessoa do singular/plural

coisas que não cabem na roupa de outrem.
E forçá-lo é covardia ou fraqueza de alma.
Há coisas boas ou tolas q
ue devemos assumir com a dignidade torpe da primeira pessoa.
E eu assumo, admito e endosso tudo.

Denuncio-me antes que me apontem na rua, antes que ganhem delação premiada às minhas custas .
Sim, eu pequei, meu mestre, cometi quase todos os sete capitais.
E os que ainda não, estão por serem.
Sim, cobicei ser a mulher do próximo. Admito, quis ser todas aquelas senhoras, queria ter de dia a voz de Aretha, de noite a de Ella, ter a vida de Frida, a beleza de B., o tipo distante de I., queria ser como todas elas só pra ser pra ti.

Sim, senti o veneno da ira nas minhas veias e até viciei. A ira por não te ter.
Sim, eu tive a gula de te engolir mas não soube arrotar na sua cara, e você nunca soube do quanto o comi.
Sim, eu tive estados oníricos luxuriosos quase indizíveis até pra Dr. H.
Sim, eu tive preguiça de te esquecer.
Sim, eu tive a ganância de querer sempre mais a tua alma tamanha pra minha carne frágil.
Sim, tudo isso são vaidades que eu alimento e delas me envaideço mesmo não merecendo.
Na terceira do singular ou do plural eu não seria tão piegas. Se eu as delegasse pra outrem, se vestisse qualquer outra persona estaria sã e salva mas não...
Eu assumo, mestre, meus erros, meus pecados, meus bocados de desejo e fúria.






12 de Novembro de 2005

Eu já odeio

Eu já odeio todas aquelas groupies idiotas que ficam no gargarejo só pra serem notadas,
desesperadas cantam esquálidas as canções que com tanto esforço não consegui memorizar,
e ficam lá dançando e disputando atenção,
disputando com outras ídions a afobação de compartir a solidão de não serem mais apenas multidão.
Por que não vão pro raio que as partam?
Eu já odeio o modo como elas disputam metro a metro o calor do teu abraço,
me impedem de fazê-lo pelos seus solavancos, cotovelos e tropeços
nos meus pés,
e vêm todas com pás, britadeiras, e escavadeiras pra te cavucar,
arrancar pedaço e te levar.
Eu já odeio todas essas "maria reaggueiras"e "marias hermanas".
São todas vulgares e dizem as coisas óbvias que pra você eu nunca diria,
e me impedem de dizer tudo aquilo que faz tempo eu queria,
nenhuma assim é tão bela,
mas todas elas, afoitas pelo coito, dão pra isso qualquer bagatela.
Coitadas, mal sabem elas que eu as odeio com todo meu
desprezo e desgosto.
E acho que ele também odeia mulher que se dá sem ser pedida,
que invade vidas sem ser conviva,
que enxerga como baguete
um banquete tão farto
para o qual elas não foram convidadas.
Eu odeio todas elas, e que elas assim sejam odiadas,
pra eu destilar todo o ódio que me resta
pra pessoinhas tão desprezíveis que nem mereceriam um poema nem um feio desenho,
eu tento,
mas já saiu, e daí?
Eu já odeio ter ciúmes de algo que eu ainda nem tenho.


Eu já amo.

Eu já amo, meu amor platônico,

o jeito como você enxuga o suor do rosto na manga da camisa branca,

eu já amo o jeito como você bebe goles d'água ,

e como seus olhos fervem e derramam lavas

que me lavam e me transbordam,

eu já amo como você olha lindo e tímido generosamente pra todos,

e que quando abre os braços parece o meu Jesus Cristo,

eu,

cética que sou, miro

um avatar que eu olho e adoro,

os diálogos que eu decoro

e por decoro eu nunca digo no olho a olho,

olhares que eu sempre imploro,

seu cabelo como quem acabou de acordar,

seu estilo de como quem tá sempre com a mesma roupa,

eu já amo meu olhar de boba pra você

e me sentir ridícula por ficar assim abestada.

eu já amo meu silêncio ao seu lado

pleno de significados,

e pensar que você olhou pra mim,

e amo até mesmo minhas artérias e veias que não se calam

e vibram só por te ver passar sem ligar,

eu já amo quando meu rosto tocou na sua barba macia pela primeira vez,

amo seu pescoço, seu jeito de leveza, seu modo de agradecer sem se envaidecer,

sua atenção, sua calma, sua postura corporal.

eu já amo a fumaça que eu aspiro por não poder ainda respirar você,

o enjôo que eu sinto e a queda de pressão antes do primeiro acorde,

suas mãos que acendem o cigarro e tocam ...

seu jeito de bom filho, bom amigo, bom irmão, bom daquilo(?!)

eu já amo tudo isso

e mais um pouco que eu amo como quando eu te como

pela antropofagia da adoração.

meu ídolo, meu culto, minha estrela,

eu já amo ser sua fã desde a primeira,

eu já amo a possibilidade de ser o único

cara pra quem de cara

eu

já diria

Eu te amo na lata.


11 de Novembro de 2005

Num átimo de segundo

(Ontem. Noite. Gente, multidão e Cristiane disforme no meio da massa).
Cena 1: Andando perdida e achando tudo sem graça. Não há falas. Não há intencionalidades no rosto, no fundo aparecem os transeuntes da feira. Close.
Cena 2: Cristiane resolve sair da feira, tomar uma fresca lá fora. Só agora o foco toma seu corpo como um todo.
Cena 3: O desconhecido músico da feira toca seu violão e sua percussão. Aparece desfocado ao fundo a partir dos olhos em close de Cristiane. Ouve-se uma música em tom baixo ao longe. Algo ilumina o olhar de Cristiane mas não se sabe bem exatamente o quê. O foco sai do seu olhar e aproxima-se do músico ao fundo. Ouve-se agora nitidamente o fim da música "Is this love, is this love..."(Bob Marley). Seu rosto ilumina-se, sorriso discreto. (Inserir flasback). Acaba e segue-se "às vezes parece até que a gente deu nó"...( Lenine). Num átimo de segundo "ele" surge na sua reta mas não a vê, nem poderia reconhecê-la. Cristiane movida pelo reflexo num gesto tolo de arrumar o cabelo (surpresa). Ele não fica nem um segundo ali parado, vai embora. Mostra-se ao longe ele indo embora.
Mais uma cena banal desse folhetim. Continua na próxima edição, assim espero que algo aconteça para sair do plano psicológico e passar a ter diálogos ao modo de Rubem Fonseca, sem rubricas, direto e seco, ao ponto. Sem lirismo, sem Vinícius de Morais, ao modo de João Cabral de Mello Neto, se este falasse de amor.

Novos sabores no ar!

Meu sobrinho querido Rhenan inspirado pela tia aqui lança novos sabores:
http://temperobom.blogspot.com
http://temperoruin.blogspot.com (ruim com "n"mesmo)
http://temperoestranho.blogspot.com

Dá pra crer, o danadinho fez tudo sozinho, abriu a conta e tudo mais!
Tô de boca aberta. E não é que ele escreve bonitinho contando suas primeiras experiências, escola, futebol. solilóquios, análises psicológicas, confissões e entretenimento.
Sou fãzona dessa garotinho, e não é porque sou tia não...ele é uma figura mesmo! super inteligente, perspicaz, bom de bola e ainda por cima lindo!
Tá...sou babona mesmo...mas e daí?! tô no meu direito de ser.
(depois insiro uma foto do moleque aqui)

10 de Novembro de 2005

Penélope Charmosa!

Demorou, enrolei, faz três meses que tá vencida, até por blitz eu passei e oshomi não desconfiaram da minha cara de boa moça....
mas agora é verdade: tô indo lá no Ciretran renovar minha carta! tô rezando pra fotcha ficar bunitcha...senão é só daqui dois anos né...




9 de Novembro de 2005

Sistemática da caótica


Limpava os livros de vez em vez, categoricamente. Empilhava-os e depois enfileirava-os segundo o sabor dos seus humores. Tinha vez que era pela cor, noutras era pelo tamanho, temas, áreas de conhecimento, só não teve a pachorra ainda de colocá-los em ordem alfabética. É a primeira vez que os conta e contando tudo entre romances, poesias, teóricos, técnicos, dicionários, obras de referências e bibliográficas, dava uns 151.. Desses quantos leu? Desses quantos lembra?Quais devem ser relidos e merecem sê-lo? Desses quantos ainda não leu pois só de pegá-los arrepia-se toda como o de Clarice e Dante, estará seu coração preparado para tal? Quantos desses consolaram-na em dias chuvosos ou no dia depois do fim de caso? Quantos desses mudaram sua vida, sua postura, sua expectativa de vida? Com quais teve epifanias e catarses? Seu pai sempre lhe dizia que a ordem exterior reflete a ordem interior. Sendo assim, sempre fora desordenada afinal seus livros eram quase sempre todos espalhados, grifados, empilhados, jogados pela casa toda. E não se importava, achava graça vê-los assim todos espalhados pois parecia uma nova arquitetura; todos assim juntos empilhados como se um sopro os derrubassem todos era quase uma escultura de Gaudí. Em contrapartida, quando de vez em vez se dispunha a ajeitá-los sistematicamente, seu corpo refregava um pouco e sua agitação dava trégua. Os livros silenciavam e tudo o que importava ali era a mecânica automática de tirar a poeira deles. E assim só de tocá-los com os dedos, ver seus títulos, folheá-los e tatear suas capas duras já sabia seus segredos. Um dia, um poeta alado que saltou num último fôlego de um edíficio alto lhe disse que as capas dos livros na verdade são asas. E quando criança lera num desses livrinhos de máximas que "os livros são como abelhas que levam o pólen de uma inteligência à outra". E gostou. O poeta morreu do pulo de susto que deu. Ela ficou ali de baixo vendo estática o prédio torto que parecia que a qualquer momento cairia sobre seu colo. Era melhor deixar as coisas que não podem ser remexidas em seu devido lugar, por que queremos arrumar o que É? Todos sabem que tirar a lata de baixo gera a queda, pois então....

Da educação

Ontem vi uma palestra sobre educação libertária que me incomodou.
O professor que proferiu a palestra era até doutor mas quanto senso comum...
É tão fácil dizer aqueles chavões clássicos que agrada tanto ao público incauto:

  • O tipo de educação que aí está não serve para nada, só para decorar para o vestibular.
  • provas não avaliam nada.
  • o professor tem que respeitar a autonomia do aluno. Em vez de impor seus conteúdos os professores devem ouvir o que o aluno tem a dizer, ele tem direito a escolher o que quer aprender.
  • precisa ter autogestão comunitária.
  • o discurso professoral assusta.

E pior não é isso, fez sua palestra "ilustre" em cima do Maurício Tragtenberg. Sua obra "A Deliqüência Acadêmica" foi desvirtuada para se transformar numa crítica pretensamente de esquerda quando na verdade representa hoje o discurso hegemônico da educação neoliberal. Coitado do professor, nem sabe que sua grande obra foi apropriada faz tempo pela direita.

Do por que isso me assusta:

  • dizer que a educação já não "serve" mais pra nada é dizer também que queremos uma outra educação que "sirva" pra alguma coisa. Quem vai definir essa outra educação que "sirva"? E "sirva", pra quê afinal? Cai-se no mesmo discurso pragmatista e tecnicista da pedagogia burocrática que a pedagogia libertária tanto critica. Meus alunos só me perguntaram pra que "serve" a sociologia no primeiro dia de aula pois é tão automático hoje em dia esse tipo de pergunta. Depois, sem eu precisar dizer, sacaram pra quê ela "serve" e se deram por satisfeitos. A sociologia não tem que "servir" pra nada, só tem uma "função": possibilitar que o aluno tenha oportunidade, acesso e direito de se apropriar de um saber historicamente constituído, de um raciocínio e imaginação sociológica, antropológica e política. O conteúdo é importante mas tão mais importante quanto é despertar esse raciocíno e visão de mundo, ampliar os horizontes do modo de enxergar a realidade social. O que ele fará depois com isso não me diz respeito. Quem sabe ele - o aluno- "sirva" à direita ou à esquerda ou aos dois amos, ambos. Mas ora, não era pra "respeitar a autonomia do aluno?"
  • Provas não avaliam nada. Que alternativa se dá em seu lugar diante de um aparato burocrático que força ao professor a dá-las? Essa alternativa que só pode existir mediante uma luta política ele não deu. Os professores sabem que que 0,75 como nota, de objetivo tem muito pouco, não somos ingênuos. Mas a pedagogia nem ousa questionar e enfrentar politicamente esse problema e dar alternativas. Não. Joga a culpa no indivíduo, e cada vez mais nos culpabilizamos por uma dívida social e histórica, por isso tomamos tanto calmante, e temos tanta depressão e fobias de todos os gêneros. É fácil restringir a discussão no âmbito ético da relação professor-aluno, como se o professor que dá notas seja um carrasco. Isso não é nem ingenuidade, isso é covardia. Tão fácil depositar os problemas da educação na "didática"quando na verdade o problema da educação hoje nem é tanto do ministério da educação mas do ministério da fazenda. Até quando vamos culpabilizar o indivíduo professor em detrimento da estrutura educacional e do modelo de sociedade?
  • Tá, então tá. Um dia vou ter a canalhisse de chegar pros meus alunos e dizer: "o que vocês querem aprender hoje?". Eles que nunca ouviram falar de Marx, Durkheim e Weber claro que escolherão falar de novela. E eu falo. Que que fiz? Reproduzi o senso comum na escola. É esse tipo de escola que queremos? é essa sua função social: reproduzir o senso comum? O aluno tem que ter direito a se apropriar do conhecimento erudito e historicamente acumulado, principalmente aqueles que não teriam outro meio de fazê-lo senão na escola.
  • Ok. faremos gestão comunitária, isso é muito bom de fato. Mas e quando os pais quiserem uma gestão do tipo "amiguinhos da escola", ou a igreja quiser interferir e quiser deletar tudo aquilo que contrarie a visão judaico-cristã, ou as esferas mais retrógradas da comunidade quiserem impingir o tipo de educação que eles, que não foram formados para tal, julgarem ser o mais apropriado? Aí é fácil, os professores além de burros e autoritários são agora mau administradores do dinheiro público que não sabem usar racionalmente os poucos recursos que recebem do Estado. Cansei de ouvir pais em conselhos de classe dizendo: o problema do meu filho é que ele não tem aulas dinâmicas. Olha, minha senhora, aqui não é MTV, sinto muito. Aqui não é cursinho que temos de agradar nosso cliente, sinto muito.
  • Tá, o discurso professoral assusta e nós não sabemos mais que os alunos. Então eu rasgo meu diploma, pra quê ele "serve" então?Isso é tão ideológico que chega a me dar asco.

Por tudo isso eu penso: acho que hoje em dia transgredir é ser tradicionalista ante as atrocidades que são proferidas por uma esquerda burra que não percebe que seu discurso hoje beneficia é o Banco Mundial. Tudo isso acaba legitimando a dominação e os problemas educacionais que enfrentamos.

Meu sobrinho acaba de chegar com seu caderninho de caligrafia cuja tarefa é copiar dez vezes a seguinte frase:

"A professora ensina a lição".

Por que será que não rio nem me assusto mais com isso?!

(continua)



8 de Novembro de 2005

Lirismo

"Quero antes o lirismo dos loucos, o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados, o lirismo dos clows e de Shakespeare. Não quero mais saber do lirismo que não é libertação". (Manuel Bandeira).


***


Em dias como hoje
Eu
Não preciso
ler o livro
Me
basta o título,
Nem ter
o tido
Basta ver
o visto.
Em dias como hoje
Eu
escrutino
o infinito
e conto
o aturdido.
Em dias como hoje
"o ócio é um passo para o vício"
Mas
Eu
vivo.
Em dias como hoje
tudo fica
liso teso fixo
fico frouxa
fluo e fruo
palavras que nunca digo
cujo signo
eu
não sigo,
rimas raras ou fáceis
eu
não ligo.
Eu
espirro tremo grito.
Em dias como hoje
no mormaço lasso
eu
nem piro nem deliro
mas o lírico me laça
e
Eu
fico.
"

Quem não gosta de samba, bom sujeito não é...


Eu, ontem, cai no samba!
Samba de roda, samba de raiz, pagode, samba de roda, coco, jongo......
tudo lindo com amigos lindos
gente linda
gente que sabe a sabedoria dos orixás
mulheres negras sábias
é uma força grande e guerreira
saí com as pernas bambas e a alma recarregada!
é disso que eu preciso com mais freqüência, com certeza!
dançar e corporificar o que se quer expressar.


7 de Novembro de 2005

Eu zero, tu zeras, ele zera, nós zeramos, vós zerais, ele zeram.....e VC?

O ENADE - Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, é um dos instrumentos de avaliação recém criado pelo SINAES – Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior. No entanto o ENADE mantém resquícios do antigo Provão que foi instituído na era FHC, que como sabemos aprofundou o processo de mercantilização do Ensino Superior, através de uma avaliação de produto e de ponta. O ENADE ainda mantém elementos do antigo Provão como a obrigatoriedade da realização da prova e ainda situa avaliação do ensino superior através de provas. Tomamos uma posição contrária a este tipo de instrumento de Avaliação do Ensino Superior, e ainda por não sabemos os rumos que tomaram o ENADE e o SINAES, que sinalizam tornar-se um mero Provão. Os debates realizados e as discussões dos estudantes de Serviço Social vem apontando como orientação a não realização das Provas, através da tática do NOTA 0, do qual o (a) estudante comparece no dia da prova, no entanto entrega-a em branco (faz um zero ou cola um adesivo), neste instrumento o (a) estudante não será prejudicada
(Manifesto dos estudantes reunidos no XXVI ENESS – Vitória/ES 2004)
*******
Foi zerando o provão (ENADES) que ontem eu protestei. Por dedução lógica já tinha suposto que o objetivo principal disso aí não podia ser melhoria da qualidade da educação coisa nenhuma. Ou será que achamos que vão investir nos cursos considerados pior conceituados? Haverá é menos investimento, isso sim, com a tática de se jogar a responsabilidade nas costas da instituição e isentar o Estado de sua responsabilidade. Está claro pra mim que este procedimento potencializa a mercantilização da educação uma vez que o SINAES está vinculado ao Banco Mundial e à Reforma Univerasitária, o qual todos sabemos têm interesses escusos com relação à educação- neoliberal por excelência. Além disso, se o Estado quisesse realmente avaliar a qualide do curso ele o faria, e certamente já possui dados e pesquisas e metodologias para isso. Acontece que isso não é feito e aparecem as incoerências: como avaliar os cursos, as instituições pela competência individual dos alunos? Competência individual, aliás, acho que foi o que norteou os bobos espertos - duas conhecidas do curso de ciências sociais- fizeram minuciosamente a prova. Bobos espertos é uma categoria contraditória que inventei agora para designar certas raposas que têm princípios lockeanos para nortear sua conduta - liberdade de concorrência e de mérito individual-. São espertos porém bobos porque cegos pela sua esperteza não enxergam a totalidade das coisas e que o fato de fazer a prova pode se reverter contra eles mesmos- afinal quando todos zeram é uma coisa e quando uns poucos muito bobos fazem aí a média geral do curso é computada (baixíssima) e dá a impressão de expressão fiel do resultado do nosso desempenho. Aí, o que acontece, os bobos espertos acabarão tendo cursos de baixíssimo conceito- o que em muitos casos pode definir uma vaga de emprego (emprego..não era isso apenas o que buscavam,,,,currículo...desempenho...competência individual... habilidades...não refletem sobre a educação....então eles que se f%%$$&*. Zerar coletivamente é um ato de coragem. Zerar coletivamente reacende a boba alegre que reside em mim e alimenta minha epifania de que um dia meus alunos me ouçam e empatem ou zerem o vestibular. (mas claro que no ens. médio também há várias raposas velhas que aproveitarão essa oportunidade).
Não consegui achar o adesivo feito pelo C. A de ciências sociais que colomos no gabarito, quem tiver manda ae.
Zeremos, meus amigos e com isso zelemos o patrimônio público da educação que está sendo dilapidado e sucateado cada vez mais por coisas aparentemente bobas como essa !
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Olha o que saiu na Folha de Londrina hoje, 7 de novembro, p. 6:
manchete: ALUNOS DA UEL BOICOTAM ENADE.
Eu estava lá entre os sete alunos de ciências sociais que deixaram o recinto cerca de dez minutos depois do início da prova e que a repórter Adriana Ito entrevistou. Não colocou nem metade do que falamos, mas tá valendo.

5 de Novembro de 2005

Amanhã tem provão? Tem sim, senhor.



Amanhã tem provão. É a primeira avaliação do curso de ciências socias. E eu, como acadêmica temporã terei de fazer junto com meus calouros. Que saco! Tinha gente que ia trajado com nariz de palhaço e entregava a prova em branco, será que ainda tem? O fato é que eu não sei mais a diferença entre não fazê-la ou resolvê-la meticulosamente, alguém sabe? Quase ninguém mais fala no assunto, o que tem tom de oficial vira natural? Será que nos acostumamos? Será que o consagramos? Será que nós mesmos nos auto-domesticamos?

Eu sempre digo aos meus alunos:

"Sei que vou desiludi-los mas sou paga para isso. O fato é que desde pequenos vocês ouvem que a educação os levará à ascensão social, que se vocês se esforçarem, darem o melhor de si, souberem aproveitar as oportunidades e renunciarem aos prazeres da vida mundana terão um divino lugar no céu do mundo dos adultos, não é mesmo? Aí vocês se esforçam, dão o melhor de si, entram na universidade. Os que entram são uns fodidos privilegiados, os que não, são tachados de vagabundos fracassados. Depois de quatro, cinco, seis anos, se não jubilar obterá um "deproma"que certificará que você estará apto para determinada profissão. O fato é, meus caros, que no dia seguinte depois da formatura vocês estarão todos desempregados. (neste momento um silêncio incômodo na sala, seguido de murmuros incorformados ou desconcertantes). Meus queridos, sejam inteligentes, enxerguem além dos próprios umbigos, não se sintam culpados. Em vez de ficarem se degladiando uns contra os outros para conquistar uma vaga na universidade, por que é que não combinam todos de empatarem a prova?(eles olham para mim assustados). Instaurem o caos no processo seletivo do sistema educativo e eu quero ver como o Estado vai ser coagido a resolver esse pepino!"

Amigos universitários, eu já não sei mais quais são os motivos e consequências de se fazer ou não esse provão, vocês sabem? Ou será que isso não mais importa diante da lei do mais forte afinal o "mercado está uma selva", não dizem? Protestar contra o provão se tornou demodè, por quê? Sem ele - o Estado diz- não nos formamos, e o que importa é o "deproma".

O clown, esse sujeito torto e exagerado que apanha e é apanhado pelas crianças faz a gente refletir pelo riso.

O estudante com nariz de palhaço que se nega a responder as várias folhas de almaço é o Carlito errante e bobo que anda na marquise se expondo ao risco? O vagabundo.

Num mundo onde o chiste, a sátira, o irreverente, a ironia, a chacota e o escracho já não cabem mais como formas de protestos sociais, eu me recuso à rir à toa.

Revolta no busão

Não entendo como os londrinenses toleram tanta humilhação: lotação, passagem cara, micro ônibus em horário de pico, monopólio privado do transporte coletivo, e ainda.....aquelas caras de paisagem dos passageiros, como se não fosse com eles.
Nós sóciológos, antropólogos, cientistas sociais e cientistas políticos, precisamos fazer trabalho de campo. Gosto de abandonar o carro e andar e nesses dias notei coisas que me chocaram.
Por que ninguém reclama? Por que, como diria Gilberto Freyre, somos um povo de boa índole que não é afeito a conflitos de todos os tipos?? Deveríamos ser maus se mau é ser revoltoso.
Quando participei do movimento do pula- catraca em 2003 tive a clareza do que é o dominado pensar com a cabeça do dominante, sem se dar conta de como está arraigada a herança advinda do perído da ditadura de criminalizar os movimentos sociais. Enquanto estávamos nos mobilizando contra o abuso dessas empresas, o que beneficiaria não só os estudantes mas também os demais usuários e funcionários se nossa demanda fosse atendida, os passageiros, motoristas e cobradores nos apontavam como baderneiros. Esse ano com muito mais organização novamente os estudantes se reuniram lá no terminal. As principais reivindicações são muito claras:
  • Estatização do transporte público com a quebra do monopólio das empresas, o que trará o barateamento das passagens.
  • Passe livre como direito e não como "esmola"/"assistencialismo"para aqueles que comprovem baixa renda. (em tempo, eu tenho asco daquele cara de pau de vereador que se reelegeu várias vezes por conta dessa bandeira, sabem de quem estou falando né?! rsrs)

Hoje, naquele aperto do ônibus vendo a humilhação que os trabalhadores, velhos, grávidas, e crianças que têm que se arrastarem embaixo do imundo chão sob a roleta, o próprio motorista fazendo papel de cobrador para diminuir os postos de trabalho, aaaaiiii quase fiz como naquele filme "Dias de Fúria". Mas não né, o povo brasileiro é o povo mais alegre do mundo, né? Bobos alegres.

Na próxima encarnação quero nascer na Argentina, fazer panelaço junto com as madres de la plaza de mayo, decretar mortória e fazer o dia do escracho todos os dias.

(tema para outro post...qual a diferença entre Pelé e Maradona?)

Boemia

Acabar a sexta feira numa mesa suja de bar, há quanto tempo? Hoje não foi "o"dia, não teve nada de "extremamente" mas teve umas boas delícias, gastei as últimas no Bar do Jota. Delícia para mim é qualquer coisa que tenha um gosto antigo, já anteriormente sabido e a delícia mora em saber que ela própria- a delícia- existe e continuará existindo. O bolo de amoras está temperado é com memórias. Delícia nem sempre é a presença de algo que se devora logo, mas pode ser a ausência do que se degusta. Não o vi, mas era delicioso saber que ele existe em algum lugar e isso já me farta. Contemplar o ser amoroso e querer e querer e querer querendo que ele esteja vivo. Umas das delícias boas dessa vida é sentar em mesa de bar e brincar de boemia, fingir interesse, ver e ser visto, jogar a farsa dos mal entendidos, querer pitar meu bali hai. É delicioso ver aqueles tipos, cavaleiros da triste figura, é delicioso despojar-se da auto-ironia de deixar que imaginem o que quiser a seu respeito. Nos bares, gosto de fazer uma espécie de exercício dramatúrgico na tentativa de captar como vive aquele que senta ao meu lado, com quem ele anda, dorme, o que gosta e odeia, como terá sido sua última transa. Mas logo isso cansa (uma vida, a minha, já é muito para mim, não posso querer forjar várias personas com mãos de artesã meticulosa) e me jogo dispersa entre as fumaças alheias olhando pro nada, e isso deliciosamente me basta. E depois quando tudo parece só mais uma noite dispendida com zunidos que amanhã já terá esquecido, vem aquele seu amigo bonito te dá um puta abraço, mas um abraço diferente, pô que abraço é esse, como assim, não estou entendendo, será?! "Me liga, vamos sair". Delícia são as múltiplas possibilidades da vida que se colocam sempre quando me desprendo da rotina e caio de boca, notívaga, pela boemia.


what I saw in the water


"Hoje, revirando o passado, encontrei uma carta tua que sempre quis responder mas minha displicência não permitia. Mudou um pouco, agora freqüento os correios. Este é o presságio de uma carta. Quero saber de você. Dos pensamentos e idéias. A vida. Lendo Clarice Lispector me lembrei de você. Até logo mais. Achei que esta pintura se aproximava de alguma forma de sua personalidade".

Assim que leu, faltou-lhe o ar.
Naqueles tempos idos costumava-se enviar cartões postais aos amores, amigos e entes queridos sempre quando se ia viajar a algum lugar diferente. Era um modo de aproximar o ser que queria que estivesse lá, então enviava-se uma paisagem que era como se tivesse estado também. Já recebera postais de muitos lugares ermos, exóticos, urbanos, cada um lhe deu vontade maior de conhecer e rumar para lá. Mas esse, o mais misterioso de todos, era um pedaço seu que estava solto por aí e agora estava sendo entregue em mãos e pés.

3 de Novembro de 2005

Minha dádiva

Minha dádiva


Palavras ao vento


"Ando por aí querendo te encontrar

em cada esquina

paro em cada olhar

deixo a tristeza e trago a esperança

em seu lugar

que o nosso amor pra sempre viva,

minha dádiva

quero poder jurar que essa paixão

jamais será

palavras, palavras, palavras,apenas palavras, pequenas palavras,

momentos.

palavras, palavras, palavras,apenas palavras, pequenas palavras,

ao vento". (marisa monte/moraes moreira)

.......


Minha dádiva, desde que você, garoto de barbas por fazer, surgiu trazido pelo vento e pela chuva e pela música, recebi sua presença como uma dádiva, um dom. A tríplice obrigatoriedade da dádiva, não é?!

dar

receber

retribuir


quando é que o princípio da reciprocidade vai passar a fazer efeito conosco?

quando é que vamos, afinal, instaurar o processo dadivoso?!

Enquanto isso bebo vinho chileno cabernet sauvignon, decoro letras de música, escuto Los Hermanos, Maria Rita, Gram, Bethânia, Vanessa DaMata.....e até Ana Carolina, quem diria. Mas o fato é que nem eu mais suporto meus bregas devaneios movidos a cafeína. Quero encontros carnais.

......




Orkutcídio!

Jovem arqueóloga decide se auto-deletar do orkut.

Foi registrado ontem no livro de ocorrência da 10a. DP da cidade de Belo Horizonte às 13 horas do mês corrente, pela depoente que não quis se identificar alegando invasão de privacidade, o fato mais assombroso dos últimos tempos. A senhora C.J. (sigla para proteger sua identidade) , maior, pessoa física, residente às margens do Velho Chico, deletou-se a si mesma do próprio orkut. Dizem os estetas até que se trata mais do que um crime passional, mas uma performance contra o próprio umbiguismo típico da modernidade que precisa exautivamente se afirmar existencialmente nem que seja por meios tecnológicos ocultos e escusos. "Eu existo!"-,basta de pseudo existencialismo!
_ Por que a senhora cometeu tal delito atentando contra a própria existência?
_ Cansei de invadir e ser invadida. E evadi-me.
Lendo a notícia do caderno policial, C.T.Q que nos pediu que resguardássemos sua identidade verdadeira para conceder a entrevista, sentiu-se tola. Disse ela à equipe jornalística antes de fecharmos a edição:
_ Po, minha amiga virtual comete orkuticídio, e eu com esse blog?Lido com a existência, invado e sou invadida, vadio, leio, lido, vou evadir-me também?
_ A senhora está abalada?
_ Claro, cometer isso bem no dia de finados.
_ O que pretende fazer?
_ Não sei.
O diretor da empresa de meios tecnológicos não quis conceder entrevista mas garantiu que seu advogado enviará uma declaração. Enquanto isso os órgãos públicos temendo uma epidemia generalizada de orkutícidio e blogcídio, pedem que a população orkuteira e blogueira fique calma, beba muita água, use filtro solar e controle suas pulsões de morte.

2 de Novembro de 2005

Os Mortos e Os Outros

inspirado em livro homônimo de Manuela Carneiro da Cunha

  • ensaio de uma escatologia pessoal

Dia de finados, 2 de novembro.
Minha família nuclear (pais e irmãos) nem sempre cumpre o ritual de ir no cemitério lavar os túmulos e levar flores. Dessa vez fomos junto com a família extensa - tanto o lado japonês como o italiano considera importante manter tais obrigaçòes para com os mortos. A minha batian, embora católica, mantém uma tradição japonesa de ter um altar para os entes queridos falecidos e é preciso alimentá-los com gorran ou outras coisas pois senão eles podem ficar bravos, tristes. A minha avó italiana já não mantém um culto diário aos mortos, meu avô se foi de forma muito trágica logo no início do casamento triturado por uma britadeira. Nem posso imaginar o sofrimento que passou e portanto esquecer da morte é uma forma de seguir a vida em frente.
Dessa vez fiz questão de ir, nem sei bem por que, mas era como que uma dívida que eu precisava quitar ante meu distanciamento com os parentes vivos nesse último ano.
Manuela Carneiro da Cunha na sua obra belíssima mostrou como se dá a escatologia entre os krahó, como eles concebem o fim de seus corpos. Para eles, os mortos são inimigos dos quais devemos nos precaver e proteger porque a vida é muito boa e eles querem sempre voltar. A morte representa a irreciprocidade absoluta e por isso não trocamos com os mortos e não socializamos com eles. Termina o livro assim com a conclusão do índio Haporó : "Estar vivo é bom".
Pra mim a relação com a morte nunca foi bem resolvida, ora acredito num lugar além melhor que aqui ora acredito hedonisticamente que vida melhor que aqui não há e portanto carpe diem!
Os kaingang celebram os mortos no ritual do kikikoi com fogos e danças e cantos e mitos e rezas e xamãs e choros e performances. Tudo isso regado ao goiofá, a bebida do kiki, espécie de fermentação à base de mel e coqueiro dentro de um cocho de pinheiro. Depois enterram com todos os pertences dos mortos para não ficarem se lamuriando.
Nós não, lembramos ano a ano. E choramos, ainda que disfarçadamente como eu protegida pelos meus óculos escuros.
Rhenan disse: _ Mas eu não vi ninguém chorando muito.
eu respondi:_ é que já faz tempo que morreram, já esqueceram um pouco, hoje não é o dia de enterro.
Rhenan replica:_ é, mas se emocionam, né?
eu digo: _ é!
Eu me emocionei de ver minha vó se emocionando.
Rhenan diz a ela: _ Eu não gosto de vir no cemitério.
Ela responde: _ Ai, tadinho, ninguém gosta, pior é quem tem que viver aqui né, fio.
É, acho que estamos perto dos Krahó, vamos ver os mortos pra concluir que viver é bom e curtir a vida é mais que obrigação que devemos retribuir.
Foi bom ter ido pra Assis, passar pelas ruas do cemitério imaginado quantos "ídios" transcorrem por ali, homicídio, suicídio, infanticídio, genocídio, etnocídio...
Foi bom ter ido pra ver os parentes mortos e vivos pois foi uma forma de restaurar os laços de reciprocidade e solidariedade com ambos.
E pra concluir:
"Estar viva é bom!"

Delírios


Tem gente que tem delírio
de febre, de amor, de êxtase religioso ou sexual, catarse, drogas lícitas e ilícitas,fobias, pânico, doença, desespero, desatino, surtos psicóticos.
Em algum momento da vida você também terá
um delírio motivado por algum desses ou outros.
Lembro de um poema de Drummond que não sei o nome e tem um verso assim sobre a paixão:
um breve tremor de artérias
um instante febril

Eu gosto é do delírio quixotesco,
do sonho humano que precisa
ser alimentado todo dia contra a morte
mesmo que sejamos apontados e mortos
como loucos, párias.
Sou louca, sou Geni, sou boa de cuspir,
mas não ligo.
Melhor isso que uma vida precavida.
Quando a gente se protege muito
de toda vulnerabilidade que a vida pode oferecer,
morremos um pouco,
isso eu sei com a sabedoria da carne.
Meras anestesias não curam a alma,
só amortecem os sentidos e aos poucos
sem perceber
já não sentimos mais nada:

Socorro
Arnaldo Antunes

Socorro, nao estou sentindo
Nada
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo
Que penada,
Me empreste suas penas
Já não sinto amor nem dor,
Já não sinto nada
Socorro, alguém me dê um
Coração,
Que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva
Socorro,
alguma rua que me
Dê sentido,
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada,
Socorro, eu já não sinto nada
Socorro, não estou sentindo
Nada
Nem medo, nem calor, nem fogo,
Nem vontade de chorar
Nem pra rir.
(...)
Não estou aqui para defender tese alguma, muito menos alguma concepção cristã de que agüentar o sofrimento é virtuosa redenção.
Temos o direito de amenizar a dor. E fazemos como podemos segundo nossa visão de mundo e posição de classe (para usar ambos Weber e Marx). Enquanto a classe média freqüenta o campo psi, toma remédios e anestésicos, tarja preta e congêneres, as classes populares vão em sessões de descarrego, tomam chás de curandeiros, benzedeiras, e tratam a vida nervosa mais pelo corpo que pela alma. Já os ameríndios nas curas xamanísticas têm visões e recebem desenhos pela ayahuasca num mundo em que não cabe a concepção ocidental branca de alucinação.
Estamos eliminando progressivamente qualquer vestígio de dor e delírio da humanidade, e isso é sobre humano, até quando agüentaremos?
Leminski disse:
Um homem com uma dor
é muito mais elegante
Caminha assim de lado
Como se chegando atrasado
Andasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Ópios édens analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra.
Parece que na etimologia "paixão" tem a ver com sofrer.
E pra mim tem a ver também com delírio.
Deve ser por isso que sofro e deliro pelo ser amoroso.
Poderia ter me recusado e assim me poupado.
Mas não.
Mesmo que sofrido, mesmo que depois não seja correspondido.
Ainda assim eu prefiro o risco.
E ninguém me tira o prazer de me sentir viva por esse delírio.



1 de Novembro de 2005

Historieta entre amigos II

Feliz da vida depois de ganhar o livro e tudo mais, chego em casa. Recebo um torpedo no celular, era Ariadne que está no Rio:
"Ingenuidade minha ligar na sua casa a uma hora dessas e pensar que estaria em casa! Como vai minha querida amiga? Um super abraço, Adi. Logo mais nos falamos...!"
E um pouco antes liga Fernandinho pra dizer que Lu chegou de São Paulo e iremos todos pro Brasiliano bebemorar.
Depois liga Dri pra falar do cachorro branco que ganhou, feliz da vida.
Há muito tempo não falava com nenhum desses meus queridos amigos. Aqui prolongo um pouco mais essa conversa:
Adi é minha amigona, e nossa profecia deu certo, mesmo que cada uma seguisse um rumo oposto da outra, quando nos falássemos pareceria que fora ontem. Dessa vez deu uma certa frustração em mim pois falamos muito de nossas profissões mas não muito do essencial: a vida. Acho que ela está querendo experimentar um pouco mais do racional científico filosófico da vida, lendo Assim falou Zaratrusta, ao passo que eu estou querendo retornar um pouco ao místico que tive de renunciar por questão de sobrevivência existencial. Sim, ela sabe, mas nunca exagero em reforçar o que ela representa pra mim: pela Ariadne pegar meu novelo, o fio da vida e escapar pra Vida. Amo-te.
Fernandinho eu não reconheci pela voz, sou ruim de timbres, sou surda. Ele sempre me instiga a ler, falou de Zorba, o grego que, segundo ele, é o ser humano em estado bruto que não ousa desperdiçar nenhum segundo da vida e seus prazeres. Remeteu-me à Byron, o grego, o meu ex- mais querido e amado. Soube que os dois estão boêmios de novo. Perfeito, me chamem para andar de madrugada na rua um dia! Falou também de Ovídio, me foge agora o nome do livro, quero ler faz tempo, fala de como não sofrer tanto de amor depois que acaba, mesmo quando contra nossa vontade. Fernandinho é amigão de dois ex-meus mas só continuo amiga de um deles porque o outro, bobo, não quis, eu nào tenho ressentimentos de nenhum ex, e acho que eles também não têm de mim, exceto, claro, esse. É tão universal o que fazer para esquecer, né? Soube que sem saber Fernandinho fez a mesma coisa que eu: entrar numa academia e se jogar em todas as festas possíveis. Pra mim deu certo, espero que pra você também. Amo-te e seu mais novo companheiro de boemia, Byron, também.
Dri é minha amiga bruxa. Ama tanto os animais e com eles se comunica. Dri é capaz de entender os delírios e desatinos de uma insana como eu. Dri que mora tão perto mas às vezes parece que estamos em cidades distantes, por quê? Assim não pode, assim não dá. Quanto é que vamos comer sopa e vinho delicioso da Quinta do Morgado de novo? Vamos celebrar! Amo-te.
Lu, luzinha, reluzente, corajosa, guerreira. Me inspiro em suas histórias de vida. Conversar com ela é acertar o prumo, coisa de virginiana, lucidez e discernimento. Espero que Sampa não te distancie daqui. Agora colega de profissa, podemos compatilhar nossas dúvidas, angústias e desistências. Força aí!. Amo-te.
E é assim de encontros e desencontros que me ligo de novo à rede de reciprocidade e comensalidade.

Historieta entre amigos


Sábado passado foi meu dia de sorte quando vários desejos se revelaram fortes e possíveis.
Foi uma reconcialiação minha com o acaso.
Primeiro, de manhã, o Curso de Formação de Professores de Sociologia do Ens. Médio. A gente não se dá conta de como a troca entre os pares é imprescindível para dar sentido e significado à nossa profissão. O inusitado téorico assim foi dito entre nós:
  • tem chinelo havaiana com desenho de um famoso dos quadrinhos: indústria cultural. Walter Benjamin e a perda da "aura"delas para democratizar o acesso ou Adorno E Horkheimer para os quais seria só mais uma forma de banalização e massificação? Mas pensando um pouco mais além por que hoje usamos chinelo havaiana assim nos espaços compartilhados publicamente? Não era assim, eu me lembro, chinelo havaiana era pra ser usado no máximo dentro de casa para tomar banho, sair na rua jamais pois tinha status de pobre. E hoje, modelos internacionais e estrelas globais potencializam seu fetiche. Cristiana Reale anuncia: lá na Europa custa vinte e oito euros. Então é bom, como diz em Calabar do Chico Buarque: o que é bom pra eles é bom pra nós.
  • E a cultura popular? e o funk carioca? E como se dá a apropriação pelos meios de comunicação de massa e a indústria cultural? A cantora M. I. A que veio no Tim Festival celebra e consagra o funk carioca depois que o sampleou. A própria M. I. A é o produto da globalização, senegalesa que foi pra Londres onde convivia com indianos e sei lá por que caminhos descobriu a favela carioca. E faz sucesso. E o que é bom pra eles, é bom pra nós. Raíssa, a patricinha que se rebelou contra a elite na novela América, agora pinta seu quarto no estilo grafite, fala em quebrar o barraco, e se joga nos bailes funk. "É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado". Os playboys nào ficam mais parados, ouvi dizer que em boates elitizadas de Sampa os boys se reúnem para dançar quadradamente o funk, como algo exótico e bizarro, claro, assim pode, né? Uai, mas não era vulgar? Vulgo, comum, nào era erudito, por que então os pseudo intelectuais agora o celebram? Por que a classe média aderiu a? Porque o que é bom pra eles é bom pra nós.
  • Penso: "Ana de Amsterdã disse que vence na vida quem diz sim. Eu me recuso a. Digo não.
  • O pai de C. está em Uzbesquistão que nem sei como se escreve. Poxa.
  • Ano que vem eu e C. faremos especialização em sociologia. Estamos empolgadas. Alguém aí tem o texto do Tragtenberg?
  • G. com sua experiência deu várias dicas para entreter e não tretar com os alunos. Poxa, eu as esqueci. Como era mesmo?
  • E o plano de carreira e salários? Como assim precisamos subir a escadinha degrau por degrau? Queria direto partir pro mestrado mas segundo a lei não posso, preciso obrigatoriamente antes ser especialista em.
  • Por que fomos fazer ciências sociais? Eu, no ensino médio, nem sabia do que se tratava. Antropologia era a palavra mais bonita e misteriosa que eu escutara àquela época. Sim, admito, entrei no curso para transgredir, e consegui. Entrei também romanticamente para mudar o mundo e contribuir para a construção de uma ordem social mais justa. Quanto a isso, é projeto pra mais uma de vida. Mas estou lutando para. O que é transgredir hoje para meus alunos? Fumar maconha, beber pinga Jamel e transar sem camisinha? Tantas alunas grávidas e que mesmo que não irão casar bem antes dos 18. Não tenho nada disso, estou ficando velha e ultrapassada? Quer dizer que hoje transgredir é ser conservador e pequeno burguês?

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E depois de lá fui pros Encontros sócio-pedagógicos da UEL. Nossa, como a prof. R.V sabe ser tão divertida e falar com tanta clareza sobre a tal da diversidade cultural? Sou fã de R. V. Ouvi dizer que ela não tem uma vida pessoal das mil maravilhas. Mas como consegue ser tão bem humorada? Me ensina.

Do milagre:

  • Fui a última a fazer a inscrição. O boleto tinha um número. Houve sorteio. Muitos números foram embora. Eis que na primeira vez na vida ganho algum sorteio. O prêmio: aquilo que desejava faz tempo: um exemplar do livro do professor do Convite à filosofia da Marilena Chauí.

É. Pra um dia nublado e eu meio zumbi começara muito bem.


Decifras-me ou devoras-me?

(Ruínas de Delfos- site do wikipedia)


Não sei tu mas eu prefiro que me

devores

Eu sim, decifrá-lo.

Entender os acordes dos teus

Dedos.

Dédalo, Delfos, oráculo, magia e bruxaria, será?

Não será preciso

Devoro-te antes disso.