7 de maio de 2009

entre e sinta-se à vontade!

Esta foto é do testemunho que deixei para Susi quando de lá nos despedimos.
Isto fica como um cartão-postal para vocês.
Mas um cartão- postal diferente em que só se revela o remetente, e não o local e nem o tempo datado porque ao contrário da maioria dos cartões postais, este cartão postal é do sagrado e do atemporal, e o sagrado precisa ser muitas vezes guardado sob segredo para privar de turistas farofeiros ou bisbilhoteiros fuleros sem nada a acrescentar.

Achamos a Susi, uma alemã com caboclice nas veias e uma aura de madre inquestionável.
Paramos extáticos ante sua porta-arte com olhos admirados, ao que ela compreendeu-nos e acenou sorrindo com os olhos como que dizendo " entrem!venham ver de perto".
Entramos...e puuutz, era mágico!
E lá encontramos um mundo todo que cabia em nossos sonhos, sonhos soltos, sonhos entrecruzados, coincidências e sutilezas de almas como voltar a uma casa de mãe, mas não a casa de uma mãe em particular, mas uma mãe universal.
Como se isso fosse possível, até quem fosse órfão se sentiria voltando à sua casa de mãe de infância, lá onde nas paredes ficara impregnado seus sonhos de meninice e seus desejos mirabolantes de adulta-velhinha bacana de futuro.
A casa de Susi continha umas partes de minh´alma, como: uma floresta encantada de encamiabas, uns macacos entre bananeiras e rabos encaracolados, um tapete de pedra fofa branca, umas mesas com tampões do inconsciente, uns chás que eu fazia quando eu brincava de comidinha com a molecada do bairro.
A casa da Susi continha eu confortavelmente e cabia perfeitamente naquela companhia que ...pensando bem, nem Susi, nem a casa, nem as memórias do passado/presente/futuro, nem aquela rua, nem aquele friozinho aconhegante, nem aqueles meus dedos cheios de tinta e a pele cheia de poeira e cheiro de novidade aconteceria se não existisse aquela companhia.
Ah..aquela companhia, aquele companheiro, a Susi, a casa, os sonhos, os detalhes...tudo isso imensamente contido no espaço amplo de um coraçao irrestrito, coração meu, coração além do eu, coração nosso.
Tudo isso existe, não são quimeras.
E por ser tão real e tão tocante e tocável, eu preservo, eu me atento para o fato de que não podemos revelar o caminho,
Não, não vou dizer onde fica, onde é, quem é.
Imagine você que você recebeu um cartão postal de um lugar assim, você iria atrás dele?
Eu desejo imensamente que vocês procurem o local de vocês como este simbolizado aí pois este local chama-se Amor, cidade do Encanto.
Desejo que revistem-na vocês também e envieem-me seus posts, postais e quetais!
até lá
cris

15 de abril de 2009

Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Arnaldo Jabor

esta prova não tem gabarito, gente!

Duas questões destinadas a meus alunos numa prova. Eles não conseguiram responder em 50 min. Tampouco eu.
Quem se atreve a respondê-las pra gente?
Leiam atentamente o enunciado e respondam, ainda que em silêncio.
Grata, Boa Auto-Avaliação, profa. Cris! " Todo coração é uma célula revolucionária" (Edukators)

Citação 1:

“Há um olhar que sabe discernir o certo do errado e o errado do certo.

Há um olhar que enxerga quando a obediência significa desrespeito e a desobediência representa respeito.

Há um olhar que reconhece os curtos caminhos longos e os longos caminhos curtos.

Há um olhar que desnuda que não hesita em afirmar que existem fidelidades perversas e traições de grande lealdade.

Este olhar é o da alma.”

- Contracapa de Bonder, Nilton. A Alma Imoral: Traição e tradição através dos tempos/Nilton Bonder – Rio de Janeiro: Rocco: 1998

Citação 2:

“Sempre fomos livres nas profundezas

de nosso coração, totalmente livres

homens e mulheres.

Fomos escravos no mundo externo,

Mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito.”

- Maharal de Praga (1525-1609)

1. Interprete as citações 1 e 2.
2. Relacione-as.
=)

resposta da resposta

minha mãe cantava uma musiquinha pra mim...
" sete sete são catorze,
com mais sete vinteum
tenho sete namorados
mas...
nao gosto de nenhum"

então ontem eu matutei, matutei nessa cantiga de dominio público ancestral.
não sei sei, não achava resposta,....
mas aí me veio um estalo:
caralho, o povo naquela Época (imemorial) já era tão pós moderno assim?
e a gente se preocupando à toa.?
qdo criança era só uma cantiga alegre,
pq agora é um lamento quase fúnebre?:
tantas tantaa tantas antas que somos todos nós que não vemos o óbvio:
o amor é uma brincadeira boa,
tem quem quer.
quando vira drama, vira novela mexicana,
vira clichezão, vira chavão que não abre porta grande, vira uma coisa vulgar-vulgata, e ai,
quando vira dramalhão,
ai, ai ai, ai como eu sofrooo!
aí, misericórdia, crêemdeuspaitodospoderoso
aí não tem SER que aguente.
será q o amor se tivesse uma forma geométrica seria como?
cônico?
triangular?
quadrilátero?
circular?
reta?
ponto?

tantas perguntas,
tantas respostas
mas a mais legítima foi dada por
"o amor é fogo que arde sem doer
é ferida que dói e nao se sente
é um contentamente descontente
é dor que desatina sem doer
é um estar-se preso por vontade"
poiis é
"sei que nada sei"
nem sei o autor dessas coisas que eu reciclei,
pouco importa o autor,
importa é o ator!
e cada um exerce sobre sua personagem a forma que queira a dar a ele,
todas são válidas de acordo com a ética vigente,
ética é uma coisa, moral é outras.
não importa o que eu penso,não importa o que você pense, leitor,
o amor,
o amor não é uma pergunta!
o amor não é uma resposta!
não é uma paisagem nem um desejo nem um estado de alma.
o amor é uma necessidade!
pq
" ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria"
não lembro tbm quem disse isso, mas caro leitor, é uma pura Verdade né!
eu só tô aqui porque antes dois se amaram, da forma que seja.
mas o amor não é só isso.
o amor é mais.
é tão mais que não se alcança pela mente.
o amor é o Incogonoscível.
Intangível pela mente racional só.
é preciso ligar o coração. senão nao se acha não.
porque o amor não é uma pergunta.
é simultâniamente uma Busca e um Achado!
(E)terno
.....
por Cristiane THaís quinteiro

2- O QUE É O AMOR?

"É a convivência? É a conveniência? É a aceitação? É o sexo? É ter filhos? É esperar um futuro? É se auto-realizar? É realizar o outro? É sofrer? É chorar? É brigar? É não aceitar o outro? É ter direito de propriedade? São as inseguranças? Os medos? É esperar mais? É esperar menos? É... alguma coisa?

Alguma certeza? Incerteza? Diz aí? É tudo o que sabemos?

Qual é o limiar entre o mar e o oceano?

999 perguntas, 1 resposta?

ô ponto de interrogação cósmico." (anacarolina)

26 de março de 2009

FIM DA CICLOVIA A 50M

Meu querido, minha querida, um dos amores de minha vida, não o Amor, mas não menos importante que outrens, te escrevo com muita felicidade ao mesmo tempo com a intensidade das vísceras, para que seja real e sincero ao mesmo tempo que mágico.
Não tenho respostas prontas, eu nunca as tive. Cada qual deve seguir seu próprio caminho. Não há verdade absoluta, a não ser a Realidade da Mudança e da Diversidade dos seres. Meus escritos são fragmentos do que Sou, nunca poderiam me definir. Ao menos sei que estes são os fragmentos de algum Eu, de algum passado distante de Eu, ou de algum entendimento remoto de um Eu. Fragmentos é o que somos e eu te escrevo agora, fragmentos de escritos do passado ou do presente. O tempo não importa, eu já fui tudo isso, e talvez continue sendo. Aproveite-os como quiser e o mais importante, aproveite-os como você, somente você SENTIR.

1 - “FIM DA CICLOVIA A 50M”

Identidades anônimas, nômades
Que simplesmente existem e tentam ser
Sem algo a se mostrar
Ou a se realizar para outrens
É o Ser para o Nada e
Não vangloriar o que se É, para o Tudo.
Identidades anônimas, nômades
Seres microscópicos que andam e comem
E falam e não vêem sentido em nada
Porque Ser Nada é Tudo.
Tudo é o Universo.
Cada universo vivo se expande e se contrai
Também sofre, pelo eterno sofrimento inerente ao ser;
No eterno ciclo existencial dos seres.
A liberdade de ser é também sair ou
Supor que poderíamos sair deste ciclo, desde círculo.
Somos a crítica da vida. E a vida é indefinível em muitos níveis,
Por isso sofremos. O que dizer então depois disso?
Vai e vem que somos, a Mudança é a constância dos seres...

Estagnar os seres é como negar a vida.
Como aceitar então a Mudança? Como ser sempre
E sempre mudando?
Penso em Samsara, meu estômago dói,
Se revira como num círculo, sou Eu e Sou muitas
Todos os amigos e amantes que não tenho
Nenhuma informação é capaz de suprir os meus males de Ser

Os males do Brasil são: Amor, Preguiça e Compaixão.
É preciso estar aqui e agora, minha mente foi e não voltou.
Eu nasci e escolhi não estar mais neste lugar.

Quem sou eu? Onde estão os moldes?
Quero algum para vesti-los.
A carapaça de falar de uma profissão, de um casamento, de uma família e de filhos!
Sim, de filhos! Como poderia pensar...
Não quero estar aqui, não quero os moldes de Ser, mas também não quero sofrer.
Tantos dias sem escrever que até me perco.
As experiências do cotidiano parecem banais, parecem estáticas e desinteressantes.

Felicidade é para pouco acessar.
Onde estou eu? Onde está o outro?
Eu quero é pra barriga voltar.

24 de março de 2009

morcego III

trocando em graúdos, o morcegão ainda não saiu do meu quarto,
terei de tentar, tentar ao menos dormir.
nao por causa dele,
mas por outras avoações.
chega da voar, menina! desce pra terra! dorme, dorme, pára de pensar!

Eu acho que não há nenhuma filosofia nos morcegos, chega de .
apesar de. chega de.
eles são os mais cegos,
e eu tbm.
no entanto, no entanto nada e além.

morcego II

estava aqui no PC escrevendo, escrevendo num ímpeto de alma desnuda,
ouvi umas asadas, como braçadas no ar, pensei " uma mariposa, sussa, deixa a mariposa em paz"
mais um pouco minha Loba doméstica fica com as orelhas em pé, reparei.
Não era uma mariposa, era um morcegooooooooo!!
como assim?
já moro em prédio em andares próximos da rua há tempos e nunca me ocorreu.
E. tinha medo de morcegos na rua, eu o protegia desde sempre, dizendo que morcegos não atacam gente. Eu sempre fui mais destemida que E. , aliás que a média das gentes.
Mas hoje entrei em pânico.
Chamei o Severino pra me ajudar, o Severino é o porteiro, e ele realmente chama Severino, não é nome fictício.
E eu to aqui, morcegano, porque o Severino não deu conta de capitular o bichinho.
Eu não tenho nojo, eu não tenho medo, eu tenho pânico e só ia descobrir se eu visse de perto.
Ele tá lá preso no meu quarto, eu to refém da minha própria casa e insone,
morcego,
amor cego!
amor, segue!
amor, cegue
amor,
amor, siga!
ai!
e agora?
cadê o Batman pra me socorrer!?

morcego


O morcego é sagrado em Tonga e na África Ocidental, e freqüentemente é considerado a manifestação física de uma alma separada. Os morcegos estão intimamente relacionados com os vampiros, que se diz serem capazes de se metamorfosear em morcegos. São também um símbolo de fantasmas, morte e doença. Entre alguns nativos americanos, como os Creeks, Cherokees e Apaches, o morcego é um espírito embusteiro. A tradição chinesa afirma que o morcego é um símbolo de longevidade e felicidade, bem como na Polônia, na região da Macedônia e entre os Árabes e Kwakiutls.

Na cultura ocidental o morcego é freqüentemente associado à noite e à sua natureza proibida. É um dos animais básicos associado com os caracteres ficcionais da noite, tanto a vilões como Drácula, quanto a heróis como Batman.

No Reino Unido todos os morcegos estão protegidos pelos Decretos da Vida Silvestre e Zona Rural (Wildlife and Countryside Acts), e mesmo perturbar um morcego ou seu ninho pode ser punido com pesada multa.

(

10 de março de 2009

comida nos zóio,; zóio na comida!

Não sou boa cozinheira,
mas sei comer e degustar prazeres,
logo eu sou uma boa cozinhadeira.
é diferente.
os cozinheiros sabem reproduzir as suas receitas.
os cozinhadeiros, não. porque cozinham no zóio e tentam reproduzir pro paladar o que intuitivamente seu estômago pede.


Hoje eu fiz um rango.
Porque à noite fui dar um rolê com a Lobinha e não tinha um lanchão aberto.

Fiz assim:

1- coloque o macarrão borboletinha de massa grano duro e sabor manjericão num caldeirão fervente com um filete de azeite extra-virgem (não precisa, pode ser óio lisa...rs), orégano e sal.
2- deixe ele al dente...cozinhe por uns 8 min. não curto massa mole/ flácida. gosto de coisa dura! rs
3- enquanto isso descasque uma berinjela. corte como quiser. o mais prático é em cubos médios. deixe em reserva com água e uma pitada de açúcar pra tirar acidez (dica da minha mãe q é japa...os japas sabem esses truques agridoces!), pique bem miudinho um tantinho de repolho roxo e um tanto de hortelã de modo grande. (só as folhas sem os cabinhos pq senão dá uma sensação estranha na massa, engasga);quatro dentes de alho em fatias.
4- numa frigideira média você coloca azeite e deixe estalando, bota os alhos e vai vir aquele aroma e vai chiar, quando quase parar de chiar, taca a berinjela. não mexa. abafe. quando parar de chiar aí você começa a temperar. tempero: um tanto de shoyu, gengibre em pó. quando tiver virando quase uma pasta coloque o hortelã e o repolho e reserve.
5- escorra o macarrão, deixe um pouco da água pra servir pra engrossar o creme. não precisa lavar se tiver com o molho pronto. aqueça duas colheres de sobremesa de margarina e taca o macarrão, mexa com um pouco de orégano, queijo-ralado parmesão e pimenta-rosa. sob medida! é pra ser suave pq não pode estimular mto comida noturna de segunda-feira.
6- misture a mistureba de berinjela no macarrão e deixe tampado.

O segredo é esse, macarrao ainda mais integral demora a absorver o sabor. Deixe aí descansando enquanto você dá aquela espriguiçada, toma água e discute a relação com sua irmã.
Depois você chama ela pra comer e pronto! conquistou pelo estômago! rararararra.

Ficou uma diliça, acreditem se comerem!